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Ciência & Tecnologia  
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Ciência
Mais perto da vacina contra a aids
Pela primeira vez, uma vacina se mostra eficaz para proteger contra a infecção pelo HIV

Cilene Pereira e Mônica Tarantino

CONTROLE RIGOROSO Pesquisador prepara dose exata de vacina que será aplicada em voluntário

Na quarta-feira 23, o mundo recebeu uma notícia que esperava desde 1981, quando surgiram os primeiros casos de Aids: finalmente, uma vacina impediu em humanos a infecção pelo HIV, o vírus causador da doença. Na verdade, uma vacina não. Duas. A combinação dos imunizantes Aidsvax e Alvac - que já haviam fracassado quando testados isoladamente em estudos anteriores - reduziu em 31,2 % o risco de contaminação.

A conclusão foi obtida a partir de um estudo com mais de 16 mil participantes, conduzido na Tailândia sob a coordenação dos governos americano e tailandês, da empresa Sanofi-Pasteur e da ong Global Solutions for Infectious Diseases. Os voluntários foram divididos em dois grupos. O primeiro recebeu placebo e o segundo, a combinação das duas vacinas. No final, verificou-se que 74 integrantes do grupo que tomou placebo foram contaminados. Entre os efetivamente vacinados, 51 se infectaram (mais detalhes no quadro).

Embora baixa, a taxa de eficácia foi considerada uma vitória sem precedentes. "Por mais de 20 anos os testes com vacinas fracassaram", afirmou Anthony Fauci, um dos líderes do estudo. "Agora, é como se estivéssemos saindo de uma trilha escura e abrindo uma porta." No Brasil, a notícia foi recebida com igual entusiasmo. "É um primeiro passo para uma vacina que poderá vir daqui a cinco ou dez anos", disse o médico Ricardo Diaz, da Universidade Federal de São Paulo.

De fato, até hoje nenhuma vacina tinha tido efeito em humanos. Esse tornou-se um campo tão desacreditado que poucos insistiam nessa área de estudo. E entre esses poucos estava o grupo responsável pelo trabalho que acaba de jogar luz na busca por um meio efetivo de proteção contra o HIV.

Os cientistas querem saber agora como agiu cada vacina para então reforçar os pontos fortes. "Temos de explorar esses mecanismos para melhorar a proteção oferecida, ainda baixa", disse Esper Kallás, responsável por pesquisas sobre vacinas contra o HIV feitas na Universidade de São Paulo. Para ser aprovada, é desejável que uma vacina seja pelo menos 70% ou 80% efetiva.

Outra questão é se elas funcionarão em outros países. As duas escolhidas para o estudo foram criadas para atingir os subtipos dos vírus B e E. O primeiro é prevalente na Europa e nas Américas e o segundo, na Ásia. Na África, onde é mais incidente o subtipo C, provavelmente teriam efeito mais limitado.

 

 

24/9/2009


 
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