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DANÇA CANIBAL Obra "Funk Staden" denuncia o preconceito contra o movimento carioca
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PARAÍSOS POSSÍVEIS - DIAS & RIEDWEG/ Instituto Tomie Ohtake, SP/ até 25 de outubro
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SEXO E PAISAGEM "Paraíso Cansado" aborda o turismo sexual nas Canárias |
Enquanto os jardins do Palácio Guanabara, no Rio de Janeiro, se preparam para um baile funk comemorativo da aprovação da lei que define o funk carioca como movimento cultural (a festança está prevista para acontecer em 26 de outubro), o circuito de arte paulistano recebe a videoinstalação "Funk Staden", que já levou o ritmo a 15 museus da Europa e dos Estados Unidos. De autoria de Dias & Riedweg, a obra foi comissionada pela Documenta de Kassel, na Alemanha, em 2007, e agora tem sua primeira montagem em território nacional na mostra "Paraísos Possíveis", que reúne oito trabalhos recentes da dupla formada pelo brasileiro Mauricio Dias e o suíço Walter Riedweg.
Se o funk é habitualmente associado ao crime organizado, é muito menos comum compará-lo às práticas canibais do século XVI. A associação rendeu à "Funk Staden" muita controvérsia. A obra chegou a ser condenada como "politicamente incorreta" pela crítica americana, mas, em contrapartida, está entre as mais recentes aquisições do Centro Georges Pompidou, de Paris. Trata-se de uma encenação dos episódios do livro "História Verdadeira", de Hans Staden, realizada por funkeiros do morro Dona Marta, no Rio. No relato, o navegador alemão descreve o ritual de canibalismo a que foi submetido após ser capturado por índios tupinambás no litoral brasileiro. Na videoinstalação, as cenas de devoração são "revividas" pelos dançarinos de funk durante um churrasco no morro.
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LIVRO VIRTUAL A imagem da favela ilustra a reedição do livro de Hans Staden |
"O imaginário visual do funk que aparece nas páginas policiais dos jornais cariocas é muito próximo das ilustrações do livro de Staden: corpos mutilados para serem devorados publicamente", diz Riedweg. "O trabalho cria desconforto porque a história de marginalização continua até hoje", afirma Dias.
A obra entra no campo espinhoso do preconceito e da discriminação. Atitudes que, teoricamente, serão "punidas" com o aval dos dois projetos de lei de proteção ao movimento funk, aprovados na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Rio, no início de setembro. Mas "Funk Staden" também procura fazer uma revisão da ideia de "paraíso" e de todas as utopias, fantasias e ficções que historicamente lhe são constitutivas. A ideia de paraíso permeia toda a exposição. O mais recente trabalho da dupla, "Paraíso Cansado", feito durante a Segunda Bienal de Canárias, em 2008, propõe uma viagem ao território dos desejos e das aventuras sexuais praticadas publicamente no deserto de Maspalomas, em Tenerife.
ROTEIROS
Conexões latinas
O CUBISMO E SEUS ENTORNOS NAS COLEÇÕES DA TELEFÔNICA/ Pinacoteca do Estado, SP/ de 26/9 a 1º /11
Os livros de história da arte ensinam: Picasso e Braque são os primeiros grandes mestres do cubismo. Depois aparecem Juan Gris, André Lhote e Albert Gleizes para dar continuidade à tradição de observar o mundo sob a ótica geométrica. Até aqui, o cubismo era uma história localizada em Paris, nas primeiras décadas do século XX, fruto do diálogo e da interação entre artistas espanhóis e franceses. Em exibição em São Paulo, a mostra "O Cubismo e Seus Entornos nas Coleções da Telefônica" apresenta uma seleção de 40 obras que relativizam a concepção do cubismo como um movimento essencialmente europeu.
Com presença crescente em território latino-americano nos últimos dez anos, é notável que a empresa de telecomunicações espanhola Telefônica apresente oito artistas de países da América Latina em seu acervo cubista. Integram a mostra obras dos uruguaios Rafael Barradas e Joaquín Torres García; dos argentinos Alejandro Xul Solar, Emilio Pettoruti e Horacio Coppola; do chileno Vicente Huidobro; do peruano Martín Chambi e do brasileiro Vicente do Rego Monteiro, que tem na coleção a tela "Os Talheres", de 1925 (foto). Da grande estrela do cubismo espanhol, Juan Gris, a Telefônica apresenta 11 obras.
"O Cubismo e Seus Entornos" finaliza em São Paulo sua itinerância na América do Sul. Com esta exposição, a Fundação Telefônica marca o início de seu programa de exposições no Brasil. Com foco sobre a arte moderna, o País passa a integrar o projeto "Arte e Tecnologia" da empresa. Já em Buenos Aires e em Lima, onde a fundação já conta com sedes próprias e espaços expositivos, o enfoque é sobre a arte produzida com novas tecnologias.
Colaborou Fernanda Assef
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CUBISMO NO BRASIL "Os Talheres", de Rego Monteiro
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