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Entrevista  
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Eugênio Trivinho
"A Inclusão Digital é Uma Utopia"
Para especialista, constantes atualizações tecnológicas impostas pela indústria condenam o homem à eterna exclusão

por Ana Carolina Saito

INSEGURANÇA Trivinho: “Aquele que hoje está incluído não tem o seu amanhã garantido na cibercultura”

O homem está condenado à exclusão digital. A afirmação parece um paradoxo diante dos inacreditáveis avanços tecnológicos da nossa época. No entanto, ela revela a lógica que se estabeleceu no mundo contemporâneo, a da velocidade. Não basta apenas ter acesso ao computador e saber informática. O ser humano precisa acompanhar constantemente as atualizações tecnológicas impostas pela indústria em uma incessante corrida para garantir sua permanência no ciberespaço. “A inclusão digital é uma utopia, um mito”, diz Eugênio Trivinho, professor do programa de estudos pós-graduados em comunicação e semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Trivinho é autor do livro “A Dromocracia Cibercultural”. Dromo, do grego, significa velocidade, característica da época atual. O professor da PUCSP também organizou a recémlançada obra “Flagelos e Horizontes do Mundo em Rede: Política, Estética e Pensamento à Sombra do Pós-Humano”, que reúne ensaios de pesquisadores.


ISTOÉ
A internet pode ser considerada um veículo democrático?
Trivinho – Do ponto de vista interno, a internet é democrática quando o acesso a todos os espaços é desimpedido. Nem sempre isso ocorre. Há senhas por questões de segurança e proibições. E por trás de uma senha pode existir um custo econômico, que seleciona os que podem e não podem. Do ponto de vista externo, a época exige conhecimentos específicos, que devem ser traduzidos em uma prática interativa, própria de um comportamento de contiguidade de acesso, de fluência e de rapidez. São conhecimentos pragmáticos para usar o hardware, o software e a rede, necessários para operar os dispositivos da era da velocidade.

ISTOÉQuais as consequências dessa exigência para a vida das pessoas?
Trivinho – Como forma de pressão social, o sujeito precisa incorporar esses conhecimentos para ter um lugar ao sol na cibercultura, e não só no mercado de trabalho, mesmo para exercer cargos para os quais não é necessário saber informática. Para efeito de seleção exige-se esse conhecimento no currículo. A época requer não só conhecimentos convencionais, como a matemática, mas também o domínio de tecnologias. Isso pressupõe a incorporação de conhecimentos que não estavam disponíveis havia mais de 50 anos. É algo muito recente. É um cerco, como se a época dissesse: “Deves dominar esses conhecimentos, caso contrário o teu lugar ao sol na cibercultura está com os dias contados.”

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24/9/2009


 
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