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A volta do fonão
Na era dos míni-MP3, o velho fone de ouvido gigante retorna colorido e com design arrojado

FOTOS: KARIME XAVIER/ AG. ISTOÉ; SOUTHERN-PRESS
NA DELE Florian Blot usa seu modelo colorido em São Paulo: "Mergulho no meu mundo"

FOTOS: KARIME XAVIER/ AG. ISTOÉ; SOUTHERN-PRESS

Eles reinaram absolutos na década de 70, perderam espaço para modelos menores e mais leves com o advento do walkman nos anos 80 e foram aposentados de vez com o surgimento dos earphones na década passada. Agora, de carona na onda de valorização do vintage, os headphones, aqueles fones de ouvido grandes e pesados, estão de volta com tudo. O paradoxo é que, enquanto os aparelhos de tocar música diminuem - há MP3 menores do que caixa de fósforos -, os de ouvir aumentam. Apesar das aparentes desvantagens, eles caíram nas graças da moçada por duas razões: primeiro, são mais funcionais, pois, como conseguem isolar ruídos externos e reduzir o vazamento de som para o ambiente, deixam a música mais cristalina. Segundo, são altamente estilosos. As versões atuais abandonaram o tédio do preto monocromático e têm design, cores e estampas variados. Tornaram-se, portanto, um acessório de moda, que pode ser visto nas praias da Califórnia, nas ruas de Londres e agora também em São Paulo e no Rio de Janeiro.

O francês radicado no Brasil Florian Blot, 26 anos, descobriu o fonão em 2002, quando ainda morava na Europa. Já teve vários e, atualmente, possui quatro, de cores e estampas diferentes. "Vou caminhando de casa para o trabalho e passo por ruas movimentadas e barulhentas", diz ele, morador de São Paulo desde o ano passado. "Essa é a única maneira de eu ouvir a minha música e mergulhar no meu mundo." Ex-modelo e DJ, Paola Orleans também é usuária frequente dos fones de ouvido gigantes, tanto em casa quanto no trabalho. Quando está no comando das pickups, ela se sente mais segura ao ouvir a música com a mesma qualidade de quem escuta através das caixas de som. "A variedade de produtos que encontramos hoje abre um leque enorme para poder ousar e dar um colorido no visual", diz Paola, que tem dois modelos, um verde e um vermelho. "A conciliação de funcionalidade e beleza é o que procuro nos objetos."

Os headphones modernos começaram recentemente a desembarcar no Brasil. Em parceria com a loja Surface2Air, em São Paulo, a grife californiana Nixon, lançou há três meses dois modelos no País e um terceiro tipo está prestes a chegar. A marca americana Skulcandy pode ser encontrada em lojas especializadas. O preço desses acessórios, no entanto, está longe de ser acessível: não sai por menos de R$ 400. Para os usuários mais discretos, que primam pela qualidade sonora, mas dispensam o elemento fashion, há versões básicas - e mais em conta - de marcas como Philips. A moda é positiva para quem gosta de música. Mas nem por isso o usuário deve ignorar que som alto diretamente nos tímpanos resulta em perda de audição. "O volume máximo suportado pelo aparelho auditivo sem danos é de 80 decibéis", diz a fonoaudióloga Marcella Vidal. É preciso estar de olho nas especificações técnicas dos headphones e levar a sério a recomendação. Afinal, não vale ser fashion a qualquer custo.

Claudia Jordão

 

18/9/2009


 
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