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Cultura  
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O teatro que recupera a fala
Método que usa artes cênicas e exercícios melhora a linguagem de pessoas com dificuldade de expressão

Mônica Tarantino

Altas doses de fraternidade, exercícios para relaxar o corpo e a mente e ensaios divertidos uma vez por semana. Essa combinação de ingredientes está mudando a vida das 60 pessoas com problemas de fala - uma disfunção chamada afasia - que formam o grupo Ser em Cena, em São Paulo. Elas participam de um trabalho pioneiro no País que usa técnicas de teatro e de fonoaudiologia para a reabilitação e integração social de quem tem a dificuldade. Entre as causas do problema estão acidentes vasculares cerebrais (avc) e traumatismo craniano.

Atualmente, a trupe ensaia o quarto espetáculo, "Sinal dos Tempos", com estreia marcada para dezembro. O texto foi escrito pela fonoaudióloga Fernanda Papaterra, especialista em afasia. Ela criou a ong que dá nome ao grupo há sete anos em parceria com Nicholas Wahba, 37 anos, um ex-paciente que adorava teatro, estudou mímica e a arte da palhaçaria (clown). Vítima de um traumatismo craniano após um acidente ocorrido quando tinha 16 anos, ele é um exemplo dos benefícios do método. "Eu me recuperei e sei que outros também conseguirão se tiverem condições", diz. Nicholas é assistente de direção.

Durante os encontros do grupo, em uma casa ampla cedida por 20 anos pela Fox Filmes, ou no Sesc Consolação, em São Paulo, pessoas de várias idades fazem caretas, cantam, decoram textos, se soltam. "O bom humor e a vivência de situações inusitadas são essenciais a este trabalho", diz o professor de teatro Saliba Filho, que dirige as sessões. "Melhorei muito aqui, inclusive da memória", diz Aracy Bueno, 63 anos, que teve quatro avcs, perdeu a fala e a memória, mas hoje se expressa sem inibição.

Quando chegou, levada pelo marido, Silvio, há cinco anos, ela sofria para concluir uma frase. Essa é também a história de José Madeira, 76 anos, Lucas Rodrigues, 25 anos, e Sérgio Finocchiaro, 60 anos, entre outros participantes. "O teatro não substitui a terapia individual, mas auxilia muito na recuperação", diz a especialista Fernanda. Como o grupo é mantido por patrocínios e doações, esta espécie de tratamento complementar é gratuita.

Fotos: Julia Moraes/Ag. istoé; Ucha Aratangy

 

 

18/9/2009


 
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