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Brasil  
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Policiais atribuem corrupção a uma questão cultural e dizem que ninguém delata ninguém

Wilson Aquino

fotos: ALEX BRITO /VALEPARAIBANO/AE; Paulo Lieber
PESQUISA Se flagrassem colega recebendo propina, 52% dos delegados fingiriam não ver o crime

Não é de hoje que a polícia tem má reputação entre os brasileiros. O espantoso é que os próprios policiais tenham sobre si o mesmo conceito negativo. Essa é a constatação da pesquisa "O que pensam os profissionais de segurança pública no Brasil", encomendada pelo Ministério da Justiça e coordenada pelos cientistas sociais Luiz Eduardo Soares, Marcos Rolim e Silvia Ramos. Indagados sobre o que um policial faria ao flagrar um colega recebendo propina, 52% dos delegados responderam que o agente fingiria não ver o crime. Para 5,1% dos delegados ouvidos, a cumplicidade é mais grave ainda: eles garantem que a maioria dos agentes conversaria com o colega para dividir a propina. Apenas 11,9% dos delegados acreditam que o policial civil denunciaria o colega bandido. Foram ouvidos cerca de 65 mil profissionais de segurança do País, entre civis, militares, guardas municipais, bombeiros e agentes penitenciários. Soares, ex-secretário Nacional de Se gurança Pública, não esperava uma avaliação tão crítica por parte da tropa. "Os policiais brasileiros não acreditam nos mecanismos institucionais", afirma. Os delegados foram os que pior avaliaram a honestidade dos colegas de corporação, mas eles não são os únicos a atestar a má conduta da categoria.

Apenas 21,9% dos policiais militares consultados, entre praças e oficiais, acreditam que a maioria de seus colegas cumpriria seu dever e prenderia o colega infrator ou denunciaria o caso.

O chefe de Polícia Civil do Estado do Rio, Allan Turnowski, acha que essa situação está mudando: "Há uma nova mentalidade se formando. Acredito que num futuro breve, quando for feita outra pesquisa, os resultados serão diferentes." Para o presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Brasil, Carlos Eduardo Benito Jorge, o resultado da pesquisa é muito grave. "Não pode haver esse tipo de corporativismo", reclamou Jorge, que foi delegado da Corregedoria de Polícia de São Paulo. A própria instituição policial é detonada pelos entrevistados, que reclamam de desrespeito aos direitos trabalhistas (40%).

Além disso, 26,7% dos oficiais da PM relatam tortura física e psicológica durante os treinamentos. Resultado dessa baixa autoestima: dois terços dos profissionais de segurança afirmam que não gostariam que os filhos seguissem sua carreira.

 

18/9/2009


 
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