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Brasil  
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Um ministério doente
Enquanto o Brasil perde a batalha contra a gripe suína, o ministro da Saúde se empenha em criar uma nova CPMF e derruba a popularidade de Lula

Hugo Marques

"Se não houver mais recursos, a pilha de cadáveres vai aumentar no ano que vem"
José Gomes Temporão, ministro da Saúde

Na última reunião do Conselho Político da Presidência da República, em Brasília, o debate girou em torno da Saúde. E o nome do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), que foi ministro da Saúde de Fernando Henrique Cardoso, entrou na discussão. "Eu e três líderes do Conselho dissemos ao presidente Lula que o grande debate eleitoral no ano que vem será nessa área", contou à ISTOÉ o coordenador da Frente Parlamentar da Saúde, deputado Darcísio Perondi (PMDB-RS). "Dissemos ao presidente que a atual situação da Saúde vai fortalecer a candidatura de Serra em 2010." Preocupado com o avanço da gripe suína, o vice-presidente da República, José Alencar, também fez uma advertência: "Presidente, o grande debate será mesmo a Saúde", disse Alencar durante a reunião.

Numa atitude surpreendente, o ministro da Saúde, José Gomes Temporão, admitiu que a situação vivida por sua pasta não é boa, mas lavou as mãos e fez uma previsão fúnebre: "Se não houver mais recursos, a pilha de cadáveres vai aumentar no ano que vem." O problema é que a precária situação da Saúde não está necessariamente ligada à falta de recursos.

Se Serra será ou não beneficiado pelos fiascos da gestão de Temporão ainda é cedo para afirmar, mas uma consequência já é palpável: a imagem do governo Lula está sendo arranhada pelos desacertos do ministro da Saúde. Pesquisa Sensus/CNT divulgada na terça-feira 9 confirmou o que os participantes da reunião do Conselho Político já anteviam. A popularidade de Lula perdeu quase 5 pontos percentuais em julho, caindo de 81,5% para 76,8%. A aprovação do governo como um todo também diminuiu de 69,8% para 65,4%.

"Não precisa de mais dinheiro. Precisa de outro ministro"
Demóstenes Torres (DEM-GO), senador

E o fator que mais pesou no ânimo dos entrevistados foi exatamente o péssimo desempenho de Temporão. Segundo o levantamento do Instituto Sensus, 42,1% avaliam que o País não tem combatido a gripe suína de forma adequada e 49,4% acham que a Saúde piorou nos últimos seis meses. Uma importante personalidade da cúpula do PT afirmou à ISTOÉ que o Ministério da Saúde "é, sem dúvida, a parte mais fraca do governo". Segundo ele, a gestão de Temporão "é muito ruim" e Lula só não troca o ministro porque está na reta final de seu segundo mandato. Mas isso já não é tão certo, pois, no vácuo da queda da popularidade de Lula, também caíram as intenções de voto na ministra Dilma Rousseff, de 28,7%, em maio, para 25%. Em parte pelo que fez na Saúde, José Serra mantém-se à frente na corrida presidencial, com 39,5%.

Alheio às nuvens negras ao seu redor, Temporão insiste em culpar a falta de dinheiro disponível para as ações de Saúde e parece ter colocado como prioridade convencer os partidos da base aliada a criar a Contribuição Social da Saúde (CSS), que recriaria o imposto sobre o cheque. "O orçamento está menor", reclamou o ministro. "Temos que nos preparar para uma segunda onda da gripe no ano que vem." Sua proposta, porém, abriu uma nova fonte de desgaste para o governo. Com os recordes de carga tributária, é pólvora pura falar de novos impostos no País. Tanto assim que o próprio presidente Lula disse a Temporão que não vai arcar com o ônus de recriar a CPMF e ainda devolveu a criatura ao subordinado. "Para aprovar novo imposto, só se a sociedade, os prefeitos e o pessoal do Conselho Nacional de Saúde se mobilizarem", desvencilhou-se Lula.

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11/9/2009


 
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