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Medicina & Bem-estar  
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O celular virou microscópio
Cientistas criam telefone que identifica causadores da malária e da tuberculose

Cilene Pereira

"Um profissional de saúde pode examinar os pacientes de porta em porta e deixar as informações gravadas digitalmente"
David Breslauer, um dos criadores do aparelho

Um simples celular pode se transformar em um instrumento precioso para o combate de epidemias provocadas por agentes infecciosos. Batizado de CellScope - ou "celularscópio", em uma tradução livre -, o aparelho foi criado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e está descrito na última edição online da revista científica "PloS ONE".

De acordo com os cientistas, o equipamento é capaz de mostrar e analisar imagens do Mycobacterium tuberculosis, ou bacilo de Koch, responsável pela tuberculose, e também do Plasmodium falciparum, causador da malária.

O objetivo dos cientistas é usar a novidade em locais de grande incidência das duas doenças mas que careçam de recursos de diagnóstico. Hoje, segundo a Organização Mundial da Saúde, há no mundo 247 milhões de pessoas com malária. E estima-se que a cada ano surjam no planeta cerca de 500 mil novos casos de tuberculose. "Paradoxalmente, muitos dos lugares onde há mais pacientes não têm estrutura de atendimento.

Mas eles dispõem de uma boa rede de telefonia", informou à ISTOÉ David Breslauer, um dos criadores do aparelho. "Podemos fazer as análises, obter e registrar o diagnóstico rapidamente", esclareceu. Além disso, há a possibilidade de enviar as imagens para centros de referência mais distantes, onde podem ser estudadas mais detalhadamente.

O desenvolvimento do CellScope vem ao encontro de uma tendência mundial caracterizada pela busca de recursos ágeis e baratos para enfrentar doenças disseminadas nas regiões mais pobres do mundo. O mesmo centro de pesquisa que criou o "celularscópio", por exemplo, está agora estudando maneiras de tornar também o smartphone um instrumento útil no registro e transmissão de dados de saúde. "Essas tecnologias podem ter usos variados.

Um profissional de saúde pode examinar os pacientes de porta em porta e deixar as informações gravadas digitalmente. Quando precisar, é só acessar o aparelho", disse Breslauer.

 

 

11/9/2009


 
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