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Medicina & Bem-estar  
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O que as crianças pensam do hospital
Livro com fotos e frases revela os sentimentos de pacientes internados durante a infância e adolescência

Mônica Tarantino

Fotos: Shutterstock; Julia Moraes/AG. Istoé
PEDIDOS Eles querem paredes amarelas e funcionários mais alegres

E las querem que o hospital pinte as paredes de amarelo, tenha funcionários mais alegres para fazê-las dar risada, ar condicionado nos quartos no calor e aquecedor no frio e uma sala com filmes e pipoca grátis todo fim de semana. Ficam muito emocionadas com a ida dos coleguinhas para a cirurgia e intrigadas sobre o que acontece durante os exames, no dia da alta, o trabalho de cada profissional. Laleska, 10 anos, por exemplo, estava preocupada com a amiga que ganhou durante as várias internações.

"A Tainá é minha amiga há seis anos. Hoje ela está na UTI porque ela fez transplante... fiquei cuidando da boneca da Tainá enquanto ela se recupera." Informações como essa - uma trilha de diamantes para guiar a percepção de quem precisa entender o que se passa na mente e nos corações das crianças e jovens internados - fazem parte dos achados reunidos na obra "O Hospital pelo Olhar da Criança" (Ed. Yendis), das terapeutas ocupacionais Aide Mitie Kudo e Priscila Bagio Maria.

Fotos: Shutterstock; Julia Moraes/AG. Istoé
PERCEPÇÃO Aide (à esq.) e Priscila reuniram frases ao acaso

O livro condensa o resultado de três anos de garimpo. "Com a ajuda de seis especialistas em recreação, anotamos frases espontâneas ditas pelos nossos pequenos pacientes", diz Aide Kudo, que atua há 20 anos no Instituto da Criança da Universidade de São Paulo (USP), um centro voltado para o atendimento de doenças crônicas e, muitas vezes, graves. "Apesar da intensidade dos seus sentimentos, raramente as crianças e os jovens doentes conseguem falar prontamente se alguém lhes pergunta como se sentem", diz a terapeuta Aide, justificando a escolha do método. Munidas de câmeras digitais, algumas crianças registraram as cenas do cotidiano hospitalar, mostrando mamadeiras, fios e as cores dos brinquedos, e também coisas longe do seu alcance, como os nomes inscritos sobre portas e as luzes da sala de cirurgia.

A princípio, o objetivo do trabalho era sensibilizar os profissionais da instituição para o entendimento que as crianças têm da internação. Essa meta foi parcialmente cumprida com uma exposição feita no hospital das frases e fotos colecionadas. Mas o livro, à venda nas livrarias, não foi distribuído aos funcionários da instituição. Descontando essa falha, a iniciativa ajuda a entender um pouco mais as angústias das crianças e adolescentes sobre a doen ça e o tratamento.

 

 

11/9/2009


 
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