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Editorial  
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Uma corrida pelo ouro negro

A real dimensão da riqueza de petróleo contida na chamada camada pré-sal ainda não foi completamente definida, mas certo é que, a partir do primeiro jorro de produção desse óleo em escala, o Brasil muda sim de patamar econômico. Mesmo analistas conservadores falam em trilhões de dólares que deverão impactar fortemente o PIB e converter o País, finalmente, em potência mundial. Essas perspectivas cercaram o anúncio com pompa e solenidade do governo Lula, que levou três mil convidados e praticamente todo o seu Ministério à cerimônia na segunda-feira 31. A crítica recorrente é a do uso eleitoreiro de um projeto que ainda não gerou sequer um dólar furado. Mas qualquer mandatário com um instrumento desses nas mãos faria uso dele. O que importa são as oportunidades que se abrem aos brasileiros com o pré-sal. Depois de séculos de extrativismo predatório de seus mananciais, com uma corrida de exploradores estrangeiros que desviaram daqui fortunas incalculáveis em ouro, pau-brasil, açúcar, café, borracha e inúmeros minerais, eis que as tais reservas do ouro negro podem se configurar, talvez, na ultima chance de mudança dos destinos da Nação. O presidente Lula chega a apontar - naturalmente movido também por objetivos políticos - que o dia 31 de agosto deveria ser comemorado daqui para a frente como o da segunda independência do País. O mundo tem lançado olhares de cobiça sobre a fantástica descoberta e criticado o viés estatizante embutido na proposta de exploração - dada a ideia de criação de uma nova estatal para dirigir os trabalhos e a capitalização de R$ 100 bilhões na Petrobras com o aumento da participação da União. Mas, mesmo considerando os novos tempos globais que incentivam a parceria externa, o zelo estatal pelas reservas procede. No pós-crise, países de vários tamanhos e diversos continentes adotaram condutas protecionistas como saída para garantir mercados. Neste cenário, o controle do pré-sal em mãos dos brasileiros é essencial e deveria suscitar um debate sobre o assunto em cada casa, em cada esquina. O movimento pode até ser visto como uma nova onda nacionalista, desde que não cometa os erros do passado e esteja em sintonia com as práticas modernas de desenvolvimento.

Carlos José Marques, diretor editorial

 

4/9/2009


 
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