ISTOÉ - Independente
   
  EDIÇÃO ATUAL
  EDIÇÕES ANTERIORES
  ESPECIAIS
   
   
  CAPA
  REPORTAGENS
  CIÊNCIA & TECNOLOGIA
  BRASIL
  COMPORTAMENTO
  MEDICINA & BEM ESTAR
  MEIO AMBIENTE
  ECONOMIA E NEGÓCIOS
  CULTURA
  COLUNISTAS
  BRASIL CONFIDENCIAL
   
   
  EDITORIAL
  ENTREVISTA
  A SEMANA
  GENTE
  EM CARTAZ
  OPINIÃO & IDÉIAS
  SEU BOLSO
  BASTIDORES
   
   
  FALE CONOSCO
  EXPEDIENTE
  ANUNCIE
  ASSINE ISTOÉ
  LOJA 3
   
   
 



Capa  
Imprimir
 
Especial AutoEstima
Enxergue seu valor e construa a autoestima
Acreditar em si mesmo é uma necessidade vital para a vida equilibrada. Com dedicação, dizem os especialistas, todos podem chegar lá

Suzane G. Frutuoso

20% foi o crescimento da procura por cursos e terapias para melhorar a autoimagem em 15 anos

59% dos brasileiros têm pouca confiança em si, segundo estudo da International Stress Management Association no Brasil

Antes de ler esta reportagem pare diante do espelho e faça um exercício sincero com você mesmo. Diga dez qualidades suas. Aponte também pelo menos cinco partes do corpo que lhe agradam. Observe ainda se é capaz de contabilizar mais pontos positivos do que negativos durante seu dia. Lembre o nome de cinco amigos que não são colegas de trabalho. E, com honestidade, assuma seus erros mais recentes. Não conseguiu? Sinal de que a autoestima vai mal - e isso pode prejudicar muito a vida de alguém.

A falta de amor-próprio é um problema histórico do brasileiro, dono de uma autoimagem derrotista. Estudo da International Stress Management Association no Brasil (Isma- BR) aponta que 59% das pessoas no País têm pouca confiança em si. Quem tem baixa autoestima acaba atropelado pelo dinamismo do mundo, ou reage com violência às frustrações, ou mascara a insegurança com símbolos de status. O resultado vai de um simples incômodo a distúrbios mentais graves. Por isso, estimar-se é uma necessidade vital, que não tem nada a ver com arrogância, como se acreditava até 15 anos atrás.

Olhar-se no espelho disposto a fazer uma autoanálise é o primeiro passo para resgatar a autoestima. "Observar-se e perguntar 'o que há de melhor em mim' é um caminho para mudar o ponto de vista sobre quem você é, iniciando o processo de conhecimento interior", diz o consultor Sergio Savian, diretor da Escola de Relacionamento Mudança de Hábito, em São Paulo. Hoje, aprender a dizer "eu me amo" é compreendido como uma atitude saudável e indispensável para se sentir pleno.

Por causa desta crença, estima-se que tenha aumentado em até 20% a procura por cursos e terapias com a finalidade de trabalhar a autoestima desde meados da década passada. Enaltecer em excesso a humildade e tachar pessoas seguras de metidas está em desuso. Uma série de pesquisas indicando as evidências positivas da autoconfiança reforça essa tese. A mais recente é da Universidade da Califórnia, publicada no mês passado no "Journal of Personality and Social Psychology", na qual os pesquisadores comprovam que pessoas com baixa autoestima estão mais sujeitas à depressão.

RISCO Pessoas com baixa autoestima estão mais sujeitas a ter depressão, segundo pesquisas

Há empresas que já entenderam a importância de reforçar a confiança dos funcionários. Perceberam que o assédio moral - quando há ameaças e humilhações - só resulta em queda de rendimento e pessoas infelizes. Uma equipe em equilíbrio gera melhores resultados, é comprometida e responsável. "As novas gerações não querem o stress que consumiu seus pais. Ou as empresas mudam, ou não conseguirão recrutar os bons profissionais", afirma o headhunter Ivan Witt, sócio-diretor da Steer Recursos Humanos. Um ambiente sadio, motivador e flexível, que permita ao funcionário se sentir especial, provocará uma revolução no mundo corporativo.

Antenada com a tendência, a siderúrgica ArcelorMittal Tubarão, no Espírito Santo, desenvolveu programas pensando na saúde global dos empregados, com foco na autoestima deles e de suas famílias. Em encontros periódicos orientados por psicólogos, questões ligadas ao bemestar são tratadas de maneira integral. Saúde física, emocional, relações afetivas e até sugestões de como lidar com dinheiro estão na pauta das reuniões.

VOLTA POR CIMA Daniela Assunção refez a vida após uma relação difícil

"Incluímos os familiares ao percebermos que os problemas do funcionário não são isolados", diz a assistente social Sandra Sabadini, coordenadora dos programas. Mais de 80% da equipe já participou. A pressão e a cobrança do mercado existem. Porém, eles reagem melhor a esses desafios por estarem serenos. Nas avaliações internas, dão média 9 aos projetos. Segundo um estudo da Case Western Reserve University, quando são demitidos, indivíduos com boa autoestima culpam menos a crise e não sentem tanta raiva e pânico.

A confiança em si não excluirá tristezas e erros. Ajuda, porém, a lidar melhor com as adversidades, analisar os problemas, aprender com eles e seguir em frente. Sem drama, sabendo ouvir e sem culpar os demais - atitudes inerentes a quem tem baixa autoestima. A arquiteta Daniela Assunção, 34 anos, aprendeu isso, duramente, na prática. Ela viu um furacão passar em sua vida com o fim de um relacionamento de 11 anos. "Não sabia dizer não, me mesclei demais ao outro", conta. No final, nem identificava mais quais eram os seus reais desejos.

PASSADO Gabriel Rosa: infeliz quando deu ouvidos aos outros

A situação-limite aconteceu há cinco anos, quando descobriu que o ex tinha outra há meses. Além do amor, Daniela perdia o emprego na loja dele. Ainda assim, chegou a pedir para reatar. Comentários como "você é linda, nem precisa ficar triste" a deixavam pior. "Como se ser bonita me impedisse de sofrer", diz. Por três meses, não saiu de casa. Quando tomou coragem, viu que não sabia nem mais conversar. Foi o alerta de que uma mudança era urgente.

Daniela passou a escrever sobre seus sentimentos e a conversar na internet com pessoas na mesma situação. Deu início à sua autocura. Fez terapia, viajou pela Europa, aprendeu a meditar. "Me dei conta de que não preciso temer o erro", diz. Agora, se dedica à consultoria em feng shui (técnica oriental de harmonização dos ambientes). Está solteira e feliz. "Pretendente não falta", brinca. Não ter medo de errar, como percebeu Daniela, é uma das principais características daqueles que têm autoestima. "Todos nós fracassamos em algum momento", disse à ISTOÉ o psiquiatra francês Christophe André, autor do livro "Imperfeitos, Livres e Felizes". "É preciso aprender a se perdoar e seguir em frente." Saber estimar-se verdadeiramente inclui não ter vergonha de desistir, de dizer "não sei", admitir que está com medo, que precisa de ajuda, tirar lições dos erros e deixar para trás as feridas.

Terapia em grupo é uma saída para quem precisa dar o primeiro passo da reconstrução pessoal. Foi o caminho que a escritora Gisela Rao, 44 anos, escolheu, para ajudar uma amiga. Em 2000 ela fundou um grupo no prédio onde morava para trabalhar a autoestima de mulheres em relações que ela chama de tóxicas. "Eu mesma venho de uma família com baixa autoestima", diz. "Por isso, repeti um padrão, me interessando por homens rejeitadores e que me faziam mal." Auxiliar o próximo eleva a crença na própria capacidade - como fez Gisela. "O egoísta nunca está feliz", diz o consultor Savian. A escritora gostou tanto da experiência que a desengavetou este ano, criando o divertido blog Vigilantes da Autoestima.

SINTONIA Reforçar a confiança dos funcionários gera melhores
resultados para as empresas

O desafio de Gisela é vigiar a segurança dela mesma durante 365 dias e servir de exemplo para as seguidoras do seu blog. "Minha autoestima triplicou", diz. Ela retomou os encontros com outras mulheres para discutir segurança, otimismo, autoaceitação. Em clima descontraído e com o respaldo de psicólogas, as reuniões acontecem uma vez por mês em São Paulo. Ao final dos 365 dias, lançará o livro com o nome do blog.

PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>
 

4/9/2009


 
Receba as informações de Isto É semanalmente em seu e-mail:
 
 
 
 
 
 




 
 
 
 
 
   
 
Imprimir

   
   
   

© Copyright 1996-2008 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.

ContentStuff - Media Solutions