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MONTAGEM SOBRE FOTOS DE FREDERIC JEAN/ED. GLOBO E ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ
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Esqueça a chapa puro-sangue - aquela que teria José Serra como candidato a presidente e Aécio Neves como seu vice. Ela só existe na cabeça do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Nos próximos quatro meses, os governadores de São Paulo e de Minas Gerais dominarão a cena da oposição na batalha pelo direito de enfrentar o candidato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva numa eleição fundamental para definir um novo projeto para o Brasil. José Serra, 67 anos, e Aécio Neves, 49, são diferentes em muita coisa: no jeito de fazer política, nas prioridades de governo e, até onde deixam antever, no projeto para o Brasil.
Mas estão no mesmo partido e, pelo acordo tácito estabelecido entre os líderes do PSDB, terão até dezembro para que um se mostre mais viável que o outro como candidato a presidente da República. Até lá, contudo, o dilema do PSDB será esmiuçado em um jogo político de duas frentes. Para o eleitor comum, eles desfiarão um rosário de estatísticas, inaugurações, obras e programas de governo - com o objetivo de subir nas pesquisas de intenção de voto. Mas também irão acelerar a peregrinação pelos Estados, de olho em alianças regionais e na conquista dos filiados do PSDB. Se até dezembro nenhum dos dois se sobrepujar, uma eleição geral, no início de 2010, entre os 350 mil integrantes do partido indicará o comandante da oposição na batalha contra o governo Lula. O vencedor definirá com que estilo, velocidade e rumo o Brasil irá caminhar para se tornar uma nação desenvolvida. E é por isso que, daqui por diante, a temperatura no PSDB não vai parar de esquentar.
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FOTOS: FREDERIC JEAN, ROBERTO CASTRO - AG. ISTOÉ. ARTE: EDI EDSON
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Apenas na última semana, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, rodou mais de dez mil quilômetros para frequentar reuniões partidárias e eventos políticos. Foi a Aracaju, Fortaleza, Rio de Janeiro, Florianópolis e Brasília. Seus adversários dentro do PSDB olham as pesquisas de intenção de voto e alardeiam que ele roda, mas não sai do lugar. De fato, o governador de Minas está estacionado na casa dos 15% nas pesquisas em que aparece como o candidato do PSDB à Presidência.
Seus aliados argumentam que Aécio ainda não foi descoberto pelo eleitor comum, mas dentro do partido tem feito um estrago, por enquanto silencioso. Na sexta-feira 28, os parlamentares tucanos de todos os Estados se reuniram num hotel do Rio de Janeiro para discutir a sucessão. Nenhum governador foi convidado porque a estrela do encontro era o cientista político Antônio Lavareda, uma espécie de mago das pesquisas durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. "Queremos entender o que as pesquisas realmente mostram e qual o potencial de cada candidato", explicou um líder do PSDB. A pesquisa apresentada por Lavareda mostra que o eleitor está satisfeito com o Bolsa Família de Lula, mas que há enorme insatisfação com a carga tributária. "Desta vez, não vamos permitir o discurso de que o PSDB é contra os programas sociais", afirmou a vice-presidente do partido, senadora Marisa Serrano (MS).
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