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A beleza como ela é
Empresas e campanhas publicitárias defendem a valorização das mulheres ao natural, sem truques de computador

Verônica Mambrini

MUDANÇA A americana "Glamour" abriu espaço para uma modelo com curvas. As leitoras aprovaram

Não basta mais ter uma beleza de passarela ou capa de revista. Se não for autêntica, não tem graça. Pelo menos é o que têm mostrado diversas campanhas publicitárias e editoriais que questionam a ditadura do Photoshop, o programa de edição de fotos, e da superprodução. Na edição de setembro da revista americana "Glamour", a modelo Lizzie Miller, 20 anos, aparece confiante numa foto em que as dobrinhas da barriga estão aparentes. Os leitores reagiram com uma avalanche de elogios à publicação.

A onda começou quando o fotógrafo alemão Peter Lindebergh fez um ensaio para a edição francesa da "Elle" com beldades como Mônica Bellucci sem maquiagem ou retoques digitais.

A revista americana "Harper's Bazaar" vai repetir a dose. Cindy Crawford, Claudia Schiffer e outras modelos maduras posaram de cara limpa para a edição de setembro. Cindy deu uma entrevista à revista "Redbook" dizendo que está cansada da insistência da imprensa em flagrar suas gordurinhas.

"Admito que tenho celulite", afirmou. "Mas, de vez em quando, apenas digo: 'Que se dane, eu vou usar um biquíni.' Acho que estou bem para a minha idade. Não tenho 25 anos, tenho 43."

SORRISO LIVRE A grife Redley usou uma modelo de aparelho em sua campanha publicitária

Em 2004, a campanha Pela Real Beleza, da marca de cosméticos Dove, foi revolucionária ao incluir mulheres com vários padrões de corpo. "Buscamos fazer com que as mulheres deixassem de buscar algo inatingível", diz Fernanda Conejo, gerente de marketing da Dove. Gustavo Roese Sanfelice, professor do Centro Universitário Feevale, em Novo Hamburgo (RS), fez um estudo sobre a campanha e acredita que as mudanças nasceram da rejeição do público aos estereótipos. "As marcas individuais criam um vínculo mais pessoal com o consumidor", diz Sanfelice. Agora a publicidade está dando um passo além. Recentemente, a Natura lançou uma campanha incluindo fotos de fornecedores de matérias-primas, como os ribeirinhos. "Nosso conceito de beleza não é só a pele estar perfeita. É uma coisa mais integral, de pessoas reais", afirma Mônica Gregori, diretora de unidade de negócios. Em busca de espontaneidade, a marca de roupas carioca Redley colocou uma modelo com aparelho ortodôntico nos dentes na sua última campanha. "O consumidor não quer uma estética tão publicitária", diz o gerente de marketing Fernando Modenesi.

Outro reforço para essa onda é que ninguém mais vê uma foto de uma mulher deslumbrante e acredita que seja natural.

"Fico incomodado com a falta de veracidade. Não entendo por que uma mulher não pode ter poros, por exemplo", diz o fotógrafo de moda Clicio Barroso. "Encaro como uma aceitação do corpo feminino, bonito como ele é", diz Ignacio Aronovich, do estúdio de fotografia Lost Art.

 

28/8/2009


 
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