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Inocente por inteiro
O placar de 5 a 4 não faz de Palocci um quase culpado. Ao contrário. E ele pode mudar o jogo

Todos aqueles que se preparavam para encarar o jogo da sucessão presidencial de 2010 como um plebiscito entre PT e PSDB, com dois candidatos duros e antagônicos no páreo, Dilma Rousseff e José Serra, receberam mal a decisão do Supremo Tribunal Federal, que, por cinco votos a quatro, inocentou o ex-ministro Antônio Palocci na quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. Se o placar foi apertado, isso significaria que Palocci não seria inocente, mas sim um quase culpado. Eis aí um raciocínio primário. Fosse assim, o Brasil não teria sido tetracampeão de futebol em 1994, com uma suada vitória nos pênaltis contra a Itália, e Lewis Hamilton não levantaria o título mundial de Fórmula 1 em 2008, tendo superado Felipe Massa por um ponto apenas. O fato é que, desde a semana passada, Palocci deve ser considerado inocente por inteiro. Aliás, nem se tratava de um julgamento final sobre a prática de um crime. Os ministros do Supremo avaliaram que não havia nem mesmo elementos para iniciar uma ação penal contra ele. E uma decisão colegiada do STF, de goleada ou apertada, passa a ser de todos.

Sem o fantasma do caseiro Francenildo Costa a assombrá-lo, Palocci poderá mudar a lógica da disputa presidencial. Até porque não faz sentido limitar a escolha de 2010 a um Fla-Flu entre os oito anos de FHC e os oito anos de Lula, com as duas torcidas organizadas discutindo que governo fez mais ou foi mais corrupto. O PSDB e o PT - gostem ou não seus militantes - são as duas asas de uma mesma galinha. Dois partidos socialdemocratas, parecidos nos vícios e nas virtudes, e diferentes apenas nas tonalidades de suas cores. Palocci representa a soma dos dois, a convergência. É difícil saber ao certo se ele é o mais tucano dos petistas ou o mais petista dos tucanos.

A absolvição do ex-ministro também ajuda a desanuviar o quadro político atual. As cenas de terror dos últimos meses, com a implosão do Senado e seus lances patéticos, como o cartão vermelho dado pelo senador Eduardo Suplicy ao presidente José Sarney, são fruto do ambiente de guerra instalado entre PT e PSDB - dois partidos que disputam, com lances abaixo da cintura, o valioso apoio do PMDB. Eis aí o pano de fundo da crise. No entanto, um candidato suave no bloco governista, como Palocci, poderá abrir espaço para um novo tipo de governabilidade no "pós-Lula". Um tempo de distensão e de pacificação nas relações com a oposição, não mais de confronto. Afinal, se Flamengo e Fluminense têm a mesma origem, o mesmo vale para petistas e tucanos, que, em 16 anos, deixaram o Brasil pronto para crescer por mais uma década. E sem voos de galinha.

 

28/8/2009


 
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