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Plástico de grife
Símbolos de elegância, marcas como Chanel, Gucci e Givenchy se rendem ao material dos sapatos populares

Adriana Prado

Eles conquistaram grifes como Chanel, Givenchy, Fendi, Gucci e Yves Saint Laurent. Coloridos, neutros e confeccionados com material e tecnologia cada vez mais sofisticados, os sapatos de plástico mudaram de status: deixaram de ser populares e viraram chiques. São encontrados em forma de sandálias de dedo, sapatilhas, tênis e até peep toe (espécie de scarpin) de salto e, hoje, vão da praia à festa. Mas isso não quer dizer que sejam unanimidade. Ao contrário, muitos ainda os relacionam às sandálias de tiras trançadas que encardiam, machucavam o pé e, pior de tudo, produziam mau cheiro quando estouraram na moda, nos anos 80. Foram revisitados e embelezados na década seguinte, mas ainda seguiram com o estigma do odor desagradável.

A redenção veio com a ajuda de um material mais maleável e resistente ao suor que permitiu aos designers brincar com modelos cheios de curvas e recortes, como fez a badalada arquiteta iraquiana Zaha Hadid em suas criações para a grife francesa Lacoste e para a brasileira Melissa. Mas, também no preço, o calçado de plástico mudou de nível - ficou mais caro, embora ainda seja mais barato do que os demais sapatos das marcas famosas.

Uma sandália de couro da inglesa Jimmy Choo custa em média US$ 400 (cerca de R$ 750), e a de plástico, menos de US$ 200 (cerca de R$ 370). Obviamente, a qualidade e a durabilidade não são as mesmas do couro ou similares. Mas os calçados podem ser muito bonitos e atrair atenção.

Na hora de definir onde se pode ou não botar os pés cobertos por plásticos é que as divergências ficam mais visíveis. "Não se deve usar, mesmo os de salto, em ocasiões formais", diz a consultora de estilo paulista Kátia Fridrich. O stylist carioca Felipe Veloso discorda: "A moda hoje já não é mais tão ditatorial. Você não tem mais isso de o que combina com o quê." A estilista carioca Isabela Capeto também não vê tantas limitações no uso. "Acho bobagem. As sandálias são lindas e podem ser usadas sem preconceito, até porque há modelos para as mais diversas situações", afirma. Para a designer paulista Sarah Chofakian, que dá nome à sua grife de calçados, luxo e plástico não combinam. "Quando busco uma grife como Gucci ou Chanel, estou atrás de um modelo elaborado. Por mais que o plástico não se limite às sandálias da infância, ele ainda não é nobre", argumenta.

Os modelos coloridos e versáteis costumam calçar mulheres de todas as idades. E são chancelados pela papisa da alta sociedade brasileira Carmem Mayrink Veiga, que já foi considerada uma das mulheres mais elegantes do mundo. "Nunca usei, mas posso usar sem problemas - desde que sejam confortáveis. Moda para mim tem a ver com bem-estar", diz a socialite. Está dito.

 

 

28/8/2009


 
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