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Cultura  
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Livros
Fábulas para adultos
Por que os romances protagonizados por crianças fazem tanto sucesso

Natália Rangel

HOMENS E CÃES Livro de Wroblewski, sobre um garoto mudo, teve os direitos comprados por Tom Hanks

O escritor americano Edgar Allan Poe, em sua "Teoria do Efeito", ensinava que o trabalho do ficcionista deve ser feito de trás para a frente. Segundo ele, o autor tem de decidir qual "efeito" deseja provocar com a sua obra e, então, escrevê-la. Se o objetivo for conquistar o leitor pela emoção e sensibilidade, um bom caminho é criar uma história adulta e narrá-la sob o ponto de vista das crianças. Talvez deva-se a essa fórmula a profusão de lançamentos recentes que se enquadram nesse formato literário.

A receita pode não ser nova, mas vem ganhando muitos adeptos. Fenômeno de vendas nos EUA e no Canadá, chega agora ao Brasil "A História de Edgar Sawtelle" (Intrínseca), primeiro livro do escritor americano David Wroblewski. Narra a saga de um garoto que nasce mudo, desenvolve uma especial relação com os cães e tem de enfrentar as arbitrariedades que lhe são impostas pelo mundo dos adultos. "A mágica desse formato de narrativa é que ela se integra à sua vida", diz Wroblewski.

O efeito, no caso, é de dependência: o leitor não consegue parar de ler. Parte dessa magia está nas crianças. "Elas passam credibilidade", diz a professora da PUC de São Paulo Vera Lúcia Bastazin. "Sawtelle" já teve os direitos adquiridos pelo ator Tom Hanks e vai virar filme no ano que vem. Como em outros lançamentos, a trajetória se repete: o livro é publicado, torna-se um sucesso de público e ganha adaptação para o cinema.

É o caso de "O Caçador de Pipas", de Khaled Hosseini - um dos pioneiros desse novo filão -, que enfoca a guerra no Oriente Médio sob a ótica infantil e contabiliza cerca de quatro milhões de exemplares vendidos. Pelo mesmo caminho foi o romance "Sua Resposta Vale um Bilhão", do indiano Vika Swarup, best-seller levado às telas sob o título "Quem Quer Ser um Milionário?", campeão do Oscar deste ano.

Em "O Menino do Pijama Listrado", o ator irlandês John Boyne faz uma profunda crítica ao nazismo sob o ponto de vista de duas crianças. Sua adaptação cinematográfica corre o mundo e o autor não perdeu tempo. Acaba de lançar "O Garoto no Convés", protagonizado desta vez por um menino órfão. "A arte tem uma função humanística. E investir na sensibilidade humana é uma maneira de emocionar as pessoas. O escritor sabe disso", diz Vera Lúcia.

A MESMA FÓRMULA HUMANISTA

 

 

28/8/2009


 
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