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"Existe tropa de choque, sim. Mas para enfrentar os trombadinhas do poder", afirmou, sem qualquer pudor, o senador Almeida Lima (PMDB-SE), na terçafeira 18. Político de 55 anos, que já foi prefeito de Aracaju, ele lidera o grupo de parlamentares que defendem com unhas e dentes as ordens do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. No Conselho de Ética, a tropa de choque não negou fogo e votou em bloco a favor do senador José Sarney (PMDB-AP). "Faço parte da base do governo porque sou do PMDB. Um partido que tem seis ministérios deve ter responsabilidade para com esse governo. A oposição tenta debochar com essa história de tropa de choque. Mas eu aceito", explicou Almeida Lima.
A tropa é formada por gente com disposição para bater e também dar a cara à tapa. "Quando eu acordo de manhã e me olho no espelho, me vejo do alto do meu 1,95 m, com 130 quilos, cabeludo e penso: 'Eu tenho mesmo cara de tropa de choque'", diz às gargalhadas o senador Wellington Salgado (PMDB-MG). Mas o que move Salgado é a condição de suplente do ministro Hélio Costa.
"Eu tenho um ministro e, por isso, apoio o presidente Lula. Não faz nenhum sentido ir contra as determinações do presidente se ele tem uma aprovação tão alta", explica.
Cada um tem seu motivo para rezar pela cartilha palaciana. O senador Gilvam Borges (PMDB-AP) assumiu o cargo depois que João Capiberibe foi cassado. E o senador cassado acusa Sarney de estar por trás de sua cassação. O senador Inácio Arruda (PCdoB-CE) segue a linha justa do seu partido, que cobra disciplina dos filiados e ocupa no governo o Ministério do Esporte e a direção da Agência Nacional do Petróleo.
Outro ícone da tropa de choque é o senador Gim Argello (PTB-DF), que assumiu após a renúncia do senador Joaquim Roriz e tem apadrinhados na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Argello, que responde a processos no STF, orgulha-se de ser "um homem do Palácio". Ex-integrante da oposição, Romeu Tuma (PTB-SP) também votou a favor de Sarney. Seu filho Romeu Tuma Jr. é secretário nacional de Justiça. Na presidência do Conselho de Ética, Paulo Duque (PMDBRJ) encaminhou o processo como quis. Saiu-se muito bem no papel de segundo suplente do governador Sergio Cabral, que mantém relação de unha e carne com Lula. Vitoriosa, a tropa de choque anuncia que está preparada para novos embates. "A oposição quer tomar o poder na marra e não no voto. Não tem espírito patriótico. Sempre que botar a cabeça de fora, estaremos ali para dar uma paulada", afirma Almeida Lima.
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FOTOMONTAGEM: RICA RAMOS. FOTOS: NELSON ANTOINE/FOTO ARENA/AG. O GLOBO; ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ |
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