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Mais acusações contra o Dr. Roger
O Ministério Público abre outras duas linhas de investigação sobre as práticas do médico: manipulação genética e crime fiscal

Rodrigo Cardoso e Suzane G. Frutuoso

FOTOS: FERNANDO DONASCI/FOLHA IMAGEM; KARIME XAVIE
NA MIRA DA LEI Um dia depois de ser preso, Roger Abdelmassih teve seu registro profissional suspenso

Uma das maiores celebridades da medicina brasileira viu sua estrela se apagar na semana passada. O médico Roger Abdelmassih, badalado especialista em reprodução humana, foi preso na segunda-feira 17, em sua clínica no Jardim América, bairro nobre paulistano, acusado de crimes sexuais contra 39 mulheres. No dia seguinte, o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) decidiu, por unanimidade, suspender seu registro profissional. A entidade terá seis meses para julgar se o acusado é culpado ou não. Sua pena pode variar de uma advertência confidencial a uma censura publicada em jornal ou a perda definitiva da licença médica. Outras duas frentes de investigação foram abertas pelo Ministério Público: crimes fiscais - ele não teria declarado à Receita Federal pagamentos em dólar e euro, além de cobrar menos de quem não exigisse nota fiscal - e manipulação genética. Expacientes de Abdelmassih contam que escolheram o sexo dos filhos, procedimento conhecido como sexagem, proibido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Além disso, há sérias questões éticas também sob apuração. Segundo relatos feitos a autoridades, o médico chegou a propor a mulheres que queriam engravidar utilizar óvulo ou espermatozóide de doador sem que o marido soubesse.

Em um desses relatos, uma paciente de São Paulo, que estava com dificuldades para engravidar, conta que Abdelmassih ofereceu de quatro a seis embriões em troca de US$ 10 mil. Surpreendida com a proposta, ela questionou a procedência dos embriões. O médico tentou tranquilizá-la, dizendo que arranjaria em briões compatíveis com as características dela e do marido, inclusive o tipo sanguíneo. Arrematou, ainda, dizendo que os embriões "não seriam de nenhuma neguinha de rua". Essa paciente também diz ter sofrido um ataque sexual do médico e prometeu tomar providências na ocasião. Ele a alertou de que sua clínica era a melhor da América Latina, reforçando que ninguém acreditaria no relato dela.

FOTOS: FERNANDO DONASCI/FOLHA IMAGEM; KARIME XAVIE

A maioria das 39 vítimas diz ter sido molestada com carícias e beijos, quando estavam a sós com o médico e sedadas. Três afirmam que o ato sexual foi consumado. Em alguns casos, o assédio aconteceu mais de uma vez. Por isso, na denúncia constam 56 estupros - com base em legislação que passou a vigorar no último dia 7, segundo a qual o antigo "ato libidinoso" passa a ser considerado "estupro". A pena para cada estupro varia de seis a dez anos de prisão. Abdelmassih nega todas as acusações. Na quarta-feira 19, o desembargador José Raul Gavião de Almeida, do Tribunal de Justiça de São Paulo, negou o pedido de liberdade para o médico, alegando a "periculosidade do réu concretamente". A defesa recorreu ao Superior Tribunal de Justiça com o argumento de que a gravidade do delito não justifica a prisão. Quanto ao Cremesp, o advogado José Luís Oliveira Lima disse que a entidade "se curvou ao sensacionalismo ao suspender o registro do meu cliente", se referindo "à cobertura midiática e à falta de privacidade no ato de sua prisão, o que fere a imagem que ele construiu na medicina". Na reunião em que foi decidida a suspensão do registro de Abdelmassih, o vice-presidente do Cremesp, Renato Azevedo Júnior, falou da importância de obter uma decisão unânime - eram 40 conselheiros na sala -, porque a sociedade cobrava uma postura do órgão. Segundo uma das pessoas que tiveram acesso à reunião, foram retirados prontuários de pacientes da clínica de Abdelmassih porque está em estudo a interdição dela.

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20/8/2009


 
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