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| BASTIDORES DA SAÚDE Reality shows médicos como "E24" (à esq.), exibido pela Band, e "Jozy-H" (acima), no ar pelo OH-TV, expõem detalhes das emergências nos hospitais públicos nos grandes centros |
Desde a década de 60, a curiosidade pelas doenças e acidentes inspirou séries médicas que abordavam na ficção o dia a dia dos profissionais de saúde e os bastidores das emergências dos hospitais. Em 1994, a série "Plantão Médico" - encerrada em abril após 15 anos de sucesso - se tornou modelo no gênero e originou programas semelhantes. O estilo foi tão bem recebido que migrou da ficção para a realidade, inaugurando a era da medicina-espetáculo. Os reality shows médicos são a nova febre dos canais pagos e têm até uma versão brasileira em rede aberta. Há pelo menos sete programas do gênero em exibição no País atualmente, todos com audiência crescente e cativa.
O Discovery Home & Health tem até mais de um. As estrelas do canal são "Medicina de Peso", com os detalhes das cirurgias bariátricas, e "Hopkins", que retrata a rotina dos médicos no hospital de Baltimore (EUA). Ele também apostou nas séries "Enigmas da Medicina e Diagnóstico Desconhecido", com histórias reais sobre as doenças raras dos pacientes. Até a atriz americana Farrah Fawcett fez um documentário, "Farrah's Story", para contar em detalhes sua luta em busca de tratamentos contra o câncer que a matou, em julho deste ano. Um dos pioneiros do formato "medicina realidade" é a série "Dr. Hollywood", iniciada em 2004 e exibida no Brasil pela RedeTV!. O programa mostra o trabalho do popular cirurgião plástico de Beverly Hills, dr. Robert Rey, durante as suas intervenções plásticas. Há detalhes, do corte do bisturi à sutura, além do resultado final.
A versão brasileira dessa onda estreou em abril. O "E24 (Emergência 24 horas)" - exibido pela Band às terças-feiras, às 22h30 - mostra o cotidiano dos bombeiros, profissionais de saúde e os detalhes crus das cirurgias e do atendimento de emergência nos hospitais públicos de São Paulo. O produtor e o cameraman do programa acompanham o plantão dos bombeiros quatro vezes por semana e fazem a cobertura completa do atendimento e das cirurgias. "Mostramos apenas uma parte da realidade, optamos por um recorte positivo", diz o produtor Mariano Feijoo. Os médicos que participam do programa dizem que a equipe de produção não atrapalha e aprovam o formato. "As pessoas querem saber como são tratadas quando estão desacordadas", afirma Mário Issa, médico do Instituto Dante Pazzanese, que realizou uma cirurgia cardiológica diante das câmeras. "É uma forma de elas perceberem que o paciente do sistema público também tem acesso a um tratamento de ponta", afirma. Daniela Paoli, médica do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), é uma das presenças garantidas no E24. "Ele mostra como evitar acidentes e a importância do atendimento de resgate."
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