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Economia
Bolsa, o retorno
Em alta de 50%, ações são a melhor aplicação do ano e surgem boas oportunidades para ganhar dinheiro

Ana Carolina Saito e Larissa Domingos

fotos: divulgação; julia moraes/
OTIMISMO Juros baixos, capital estrangeiro e recuperação da economia são motivos da alta

A crise econômica está deixando o Brasil. Uma das melhores maneiras de constatar essa boa notícia está menos nas previsões otimistas de crescimento da economia brasileira para 2010 e mais naquele que é considerado o melhor indicador do que vai acontecer no futuro: o mercado de ações. De janeiro a julho, a bolsa de valores registrou uma das maiores altas da década e subiu 50%. Há quem acredite que ela pode encerrar o ano com ganho de 60%. Aquelas imagens de homens nervosos e gritando nunca mais aparecerão na tevê. Desde o dia 30 de junho, o chamado pregão viva voz foi extinto da BM&FBovespa. Mas a efervescência daqueles tempos continua ali, agora sob a calmaria de telas de computadores, e reflete silenciosamente o que se passa com a produção, o comércio e o emprego na vida real. O bom desempenho no primeiro semestre surpreendeu economistas, investidores e o resto do mundo, ainda mergulhado nas águas turvas da recessão. Isso significa dizer que quem tem dinheiro para investir está acreditando, cada vez mais, que as empresas brasileiras são uma ótima opção. Segundo a consultoria Economática, as 388 empresas com ações negociadas na bolsa valem mais de US$ 1 trilhão, valor que não era atingido desde agosto de 2008 e que supera o de todas as bolsas da América Latina. Um outro sinal da pujança é que a movimentação financeira pulou para a casa da centena de bilhões. Em julho, passaram por lá R$ 107 bilhões.

fotos: divulgação; julia moraes/

Um dos motivos deste entusiasmo é a redução contínua das taxas de juros. A Selic, a taxa básica oficial, este ano, já caiu cinco pontos percentuais e alcançou 8,75% ao ano. Neste cenário, a tendência é de que as empresas ampliem o investimento, a produção e, consequentemente, os lucros. A prova disso é que o Ibovespa atingiu mais de 55 mil pontos este mês. Ou seja, desde o pior momento da crise, o valor de mercado das empresas praticamente duplicou. E tem muita gente aproveitando.

fotos: divulgação; julia moraes/
fotos: divulgação; julia moraes/
fotos: divulgação; julia moraes/
“A época de renda dos juros elevados está acabando. É hora de olhar para a bolsa” Hugo Penteado, do Santander Asset Management

Como sempre ocorre nestas ocasiões, o capital estrangeiro chega primeiro. Depois de a BM&FBovespa fechar 2008 com menos R$ 24,6 bilhões de capital vindo do Exterior, neste primeiro semestre os investimentos estrangeiros ficaram positivos. Só em julho entraram R$ 2,2 bilhões. “O movimento atual da bolsa é coerente com a perspectiva da economia brasileira”, diz Octávio de Barros, diretor de estudos econômicos do Bradesco – que espera um crescimento de 4,9% do PIB em 2010, a previsão mais otimista do mercado. A entrada do capital estrangeiro acaba turbinando ainda mais a bolsa. É então o momento de aplicar na bolsa? De acordo com a maioria dos especialistas ouvidos por ISTOÉ, a resposta é sim.

Além das expectativas positivas, a bolsa é, até agora, o melhor investimento do ano. De novo, o motivo é a redução dos juros que acaba diminuindo a rentabilidade dos fundos de renda fixa. “A época de viver de renda dos juros elevados está acabando, é hora de olhar para a bolsa”, afirma Hugo Penteado, economista-chefe do Santander Asset Management. Por isso, a opção para quem quer melhores rendimentos é aplicar em ações. O momento ideal para entrar na bolsa é sempre quando todo mundo costuma fugir, isto é, na baixa. Mas, quando a crise estourou e os bancos americanos quebraram, quem tinha coragem de arriscar? Poucos. Mas para quem está fora, ainda restam chances.

fotos: divulgação; julia moraes/
Alta e oportunidades atraem de novo
A recente alta da bolsa de valores tem incentivado novos investidores. Pelo menos este é um dos motivos que fizeram o advogado Maurício Fabbri, 26 anos, começar a investir. “Na verdade, acho que o momento mais oportuno para investir em ações foi justamente no período de baixa causado pela crise, que foi quando comecei a pesquisar e me interessar pela bolsa. E a recente alta só confirma minha impressão de que o mercado de ações é cíclico”, afirma. Fabbri já tem aplicações em renda fixa, mas, com a expectativa de obter bons rendimentos na bolsa, quer investir 40% desse capital em ações. “Acho importante não perder a cabeça e tomar as decisões com segurança. Quero estar preparado para enfrentar e minimizar os efeitos num cenário menos favorável, diversificando a carteira de ações, por exemplo.”

Mesmo com a elevação dos preços das ações, continua havendo espaço para ganhar. Em 21 de novembro, por exemplo, o papel mais negociado da Petrobras havia despencado para R$ 15,95. Esta semana chegou a custar o dobro e, segundo analistas, há um potencial de valorização de 24% a 36% até o fim do ano. “A Petrobras ainda está em um preço bom”, avalia Alex Agostini economista-chefe da Austin Rating. É por isso que as ações da Petrobras são as mais indicadas pelas corretoras. Ela é a vedete das chamadas “blue chips” – como o mercado apelida as ações mais negociadas e indicadas a investidores mais cautelosos por serem vendidas facilmente em tempos de crise. Neste mesmo grupo, os analistas também indicam papéis da Vale. Alguns destacam que as eleições de 2010 e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) devem aquecer o setor de infraestrutura, gerando ganhos com ações dos segmentos imobiliário e de energia.

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7/8/2009


 
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