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PERFORMANCE Marcel.lí Roca narra história dos sistemas computacionais |
Os dez anos do Festival Internacional de Linguagem Eletrônica atestam que o Brasil se posicionou bem no mapa da revolução digital que eclodiu na última década do século XX. É certo que o File não antecipou o fenômeno da arte das novas mídias, como fez o festival Ars Eletrônica, da Áustria, lançado em 1979. Mas o festival brasileiro começou pouco depois do importante Japan Media Art, de Tóquio. A entrada do File no calendário anual de eventos de São Paulo e do Rio de Janeiro garante não apenas ao público, mas ao artista e ao pesquisador brasileiro um contato permanente com as últimas pesquisas mundiais realizadas na confluência entre arte, tecnologia e ciência.
O pioneirismo do File fica evidente na programação desta edição comemorativa, que anuncia a primeira transmissão transcontinental de um filme rodado na altíssima definição de 4KT. Isso significa que o longa-metragem "Enquanto a Noite não Chega", do cineasta gaúcho Beto Souza, terá première mundial sincrônica em São Paulo, San Diego (Califórnia) e Tóquio, na quinta feira 30. Outros destaques incluem quatro instalações interativas criadas especialmente para um sistema Cave, espaço de simulação tridimensional que até hoje, no Brasil, só havia sido usado para pesquisas da indústria e da medicina.
As cerejas do bolo de aniversário são a presença do teórico russo Lev Manovich, autor do clássico "The Language of New Media"- que fará workshop sobre um novo conceito de análise cultural -, e a performance mecatrônica e a instalação robótica do artista catalão Marcel.lí Antunez Roca, um dos criadores do grupo La Fura dels Baus. "Com essa seleção de trabalhos, não queremos ilustrar um conceito, mas mostrar a multiplicidade de pesquisas e possibilidades dessa cultura", diz a organizadora Paula Perissinoto. "As artes visuais já exploravam conteúdos multidisciplinares. Mas a internet e as artes digitais inauguraram a transversalidade disciplinar", completa o parceiro Ricardo Barreto.
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ROTEIROS De olhos bem abertos CASA DE ESPELHOS/ Galeria Vitrine da Paulista, Caixa Cultural, SP/ até 9/8 Na pressa e na intensidade da vida urbana, é fácil passar batido por um trabalho de Lucia Koch, artista que, desde o começo dos anos 90, produz intervenções sobre a luz ambiente de edifícios públicos ou de espaços domésticos. Às vezes a intervenção é tão sutil que é preciso estar de olhos bem abertos para detectar as transformações que ela promove. Desta vez, não é muito diferente. Entre os prédios espelhados da avenida Paulista, a instalação "Casa de Espelhos" parece à primeira vista refl etir as características da arquitetura comercial paulistana. Mas Lucia atua, na realidade, para produzir suaves "ruídos" e alterações na percepção.
Neste trabalho, faz uma inversão na lógica das exposições, já que ela é feita para ser contemplada desde fora da galeria. Esta é uma autêntica mostra de vitrine, que estampa nos vidros da fachada da galeria um mosaico de espelhos recortados. Dentro da galeria, uma nova camada de espelhos foscos multiplica a imagem de quem passa na rua, causando uma "perturbação" entre o sujeito e seu refl exo. Como aponta o texto do curador Marcelo Rezende, "este não é mais o lugar que se conhece, assim como a vivência não é mais a mesma".
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Mesmo que lamentem a ausência de um programa de formação universitária em novas mídias no Brasil - coisa que a vizinha Argentina já conquistou -, os organizadores do File estão confiantes nos avanços. Um amostra disso é a visita do Ministro da Cultura, Juca Ferreira, que irá ao File lançar o Fórum de Cultura Digital, o primeiro programa oficial na área, dedicado a criar uma rede de trocas dentro da comunidade.
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CAVERNA DIGITAL Projetos de imersão em realidades virtuais |