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Medicina & Bem-estar  
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Não fuja tanto do sol
A população tem cada vez menos vitamina d, fabricada pelo corpo após a exposição solar

Mônica Tarantino

ROTINA Em dias ensolarados, mostrar a pele ajuda a produzir a substância

A carência de vitamina D no organismo está virando um problema de saúde pública. O alerta foi dado no começo do mês pela Fundação Internacional de Osteoporose. A entidade divulgou um levantamento mostrando o avanço do fenômeno em seis regiões do planeta. "A maior parte dos habitantes do mundo carece de vitamina D. Nos Estados Unidos, mais da metade da população apresenta índices abaixo dos recomendados", disse à ISTOÉ o médico John Adams, da Universidade da Califórnia. A falta da substância se caracteriza por taxas abaixo de 20 nanogramas por mililitro de sangue (ng/ml).

O dano mais conhecido da falta da vitamina é o enfraquecimento do esqueleto. Isso ocorre porque o nutriente desempenha um papel essencial nas reações que transformam o cálcio ingerido por meio da alimentação no material que o corpo usa para fabricar ossos. Se ele não está disponível, o cálcio se perde. Por isso, os especialistas temem que sua escassez leve a uma explosão de fraturas e de problemas de crescimento nos mais jovens - um estudo recente do governo americano mostrou que 33% das meninas entre 12 e 19 anos registram níveis baixos da substância.

Há várias hipóteses para justificar a carência. Questiona-se até o papel dos genes, que determinariam a capacidade de retenção do nutriente pelo corpo. Uma das causas envolvidas nessa perda é a diminuição do tempo de exposição ao sol observada nas últimas décadas. Em parte, isso se deve às campanhas de prevenção do câncer de pele. Mas essa redução, desejável contra o câncer, acaba interferindo na sintetização da vitamina D no corpo. São os raios ultravioleta B que dão início à produção do nutriente. Basta expor cerca de 15% da pele três vezes por semana por cinco a 15 minutos.

Não há consenso sobre o uso de filtro solar nessa ocasião. O dermatologista Marcus Maia, da Santa Casa de São Paulo, diz que o protetor não atrapalha a produção da vitamina, pelo menos no Brasil. Há quatro anos, ele avaliou os níveis do nutriente de 50 pessoas que tiveram câncer de pele e por isso usavam rigorosamente filtro solar. Achou índices normais em todos. "Até mesmo esses pacientes espalhavam na pele uma quantidade de protetor insuficiente para impedir a completa ação dos raios", diz.

O debate sobre a vitamina D promete ir adiante. Ensaios científicos apontam sua participação em outras ações do corpo, como o controle da pressão arterial e diabetes. Também há indícios de que sua escassez esteja envolvida na estocagem da gordura, favorecendo a obesidade. Diante de tantas novidades, a endocrinologista Maria Fernanda Barca, de São Paulo, cogita incluir a dosagem da vitamina para obesos e diabéticos. "Ela tem um papel mais importante do que pensávamos", diz. O pediatra Ary Cardoso, do Instituto da Criança, da Universidade de São Paulo, indica a suplementação no primeiro ano de vida e na adolescência. "Nas meninas, isso reduz em 50% as chances de ter osteoporose no futuro."

FOTO: JUDITH WAGNER/CORBIS. ARTE: RICA RAMOS

 

10/7/2009


 
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