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Nem competição, nem bônus ou desafios
Pesquisa diz que o que mantém o funcionário motivado é gostar do que faz e ser reconhecido

Claudia Jordão

foto: Caroline Purser/getty images
CADA UM Disputar espaço com o colega pode trazer frustração e piorar o clima no trabalho

Em ambientes corporativos extremamente concorridos, com metas a cumprir em prazos recorde, e onde não há brecha para falhas, nada melhor para a empresa do que estimular a competição entre seus empregados, certo?

Em termos. A pesquisa "O Ranking da Motivação no Trabalho", do Instituto Imprendere, desmonta a ideia de que promover a competição é sempre o melhor negócio para o gestor que pretende tirar o máximo de seus subordinados. Embora seja a principal força motriz de profissionais em posições que exigem agressividade, como os executivos, é rejeitada por boa parte dos funcionários, especialmente dos setores de recursos humanos, comercial e administrativo.

"Determinados indivíduos respondem bem à pressão da competitividade, mas outros se sentem frustrados e infelizes", diz Marcelo Reis, presidente do instituto. O estudo revela também que a competição só traz resultados satisfatórios no início, quando o desafio causa euforia. Com o tempo, prevalece a frustração para quem nunca alcança as metas e um mal-estar entre os colegas. A designer Gisele Quirino, 29 anos, deixou há um ano um emprego numa conceituada editora de livros por causa do clima ruim que havia entre os funcionários estimulado pela competição. "Ouvia comentários como 'o livro que produzi saiu sem erro nenhum, já o de fulano...'", conta Gisele. "Não gosto dessa postura. Acredito que a melhor forma de alcançar um bom resultado é trabalhar em parceria."

A satisfação pessoal aparece como o grande diferencial da motivação, segundo a pesquisa. A empresa que quiser manter seus funcionários motivados por mais tempo deve dar a eles a chance de fazer aquilo que gostam e ter a sensibilidade de reconhecer seu esforço e conquistas. Essas ações surtem efeitos mais duradouros do que o pagamento de bônus e novos desafios. Para chegar a essas conclusões, foram entrevistadas 500 pessoas de oito áreas - recursos humanos, técnica, comercial, administrativa, marketing, tecnologia, financeira e executiva.

Os entrevistadores listaram as dez práticas mais comuns adotadas pelas empresas para aumentar a produtividade dos empregados e, depois, pediram aos entrevistados para organizarem os itens em um ranking. Dos funcionários das oito áreas, apenas os executivos e os representantes do setor de tecnologia colocaram a competitividade no topo da lista. Ela ficou em último para os empregados nas áreas de RH, comercial e setor técnico. A grande tendência em gestão é conhecer seus funcionários e suas necessidades. Nem todos estão ligados no mesmo botão.

foto: Caroline Purser/getty images

 

 

10/7/2009


 
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