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O show tem de continuar
Depois da morte de Michael Jackson, a briga pela herança, a disputa pela guarda dos filhos e o funeral cheio de honras viram espetáculo

Adriana Prado, Maíra Magro e Verônica Mambrini

Quatro dias após o falecimento do cantor, sua mãe, Katherine Jackson, acionou a Suprema Corte de Los Angeles para requerer a guarda dos filhos e dos bens de Jackson. Na quarta-feira 2, veio à tona o testamento dele, que excluiu a ex-mulher e mãe de seus dois filhos mais velhos, a enfermeira Debbie Rowe, da herança, assim como o pai e os irmãos. O testamento afirma ainda que a guarda dos três filhos do cantor deve ser de Katherine. Se ela morresse primeiro ou ficasse impossibilitada de cuidar das crianças, elas deveriam ficar sob a tutela da cantora Diana Ross, 65 anos, grande amiga do astro pop. Foi encontrado também um documento que estima o patrimônio de Michael em US$ 500 milhões, sobretudo em direitos autorais de músicas. De acordo com o site de celebridades TMZ, Katherine ficaria com 40% do patrimônio, os filhos com outros 40% e os 20% restantes iriam para instituições de caridade.

Em entrevista ao jornal inglês The Times, a ex-babá Grace Rwaramba, que cuidou dos filhos de Jackson, disse que recebeu um telefonema de Katherine, no dia seguinte à morte dele, perguntando onde estaria escondido o dinheiro do cantor: "Grace, as crianças estão chorando. Estão perguntando de você.

O enrolado médico do astro
fotos: Kevin Mazur/AEG via Getty Im ages; AF P PHO
No dia 15 de junho, o cardiologista Conrad Murray mandou uma carta aos pacientes de suas clínicas em Houston e Las Vegas: "Por causa de uma oportunidade única, tenho que tomar a difícil decisão de deixar de praticar a medicina por tempo indeterminado." A oportunidade era o convite para se tornar médico de Michael Jackson na turnê do cantor. Por dois meses, ele ganharia cerca de R$ 600 mil. Murray poderia, enfim, quitar dívidas que acumulara com cartões, multas, aluguéis. Dez dias depois, porém, o médico se tornou a principal testemunha - e para alguns suspeito - da morte do rei do pop. O cardiologista teria aplicado em Jackson uma injeção de Demerol, um forte narcótico semelhante à morfina e que teria ligação com a parada cardíaca sofrida pelo artista uma hora depois. Segundo a socióloga Karen Sternheimer, da Universidade de Southern California, esse tipo de relação é muito delicada. "O poder se transfere para o paciente

Não conseguem acreditar que o pai morreu", teria dito Katherine. "Grace, você se lembra que Michael costumava esconder dinheiro em casa. Estou aqui, onde pode estar?" A babá respondeu:

"Eu disse a ela que olhasse nos sacos de lixo e debaixo dos tapetes. Mas você pode acreditar nisso? Essa mulher tinha perdido o filho há apenas algumas horas e me liga para saber onde está o dinheiro!" Dois dias depois da morte de Jackson, Janet, irmã do cantor, foi vista na porta da mansão onde ele morava, coordenando a retirada de pertences pessoais, que seguiram em três caminhões.

Segundo o testamento deixado por Jackson, o executivo na área da música John McClain, o contador Barry Siegel e o advogado John Branca foram indicados como executores do documento. Eles requisitaram de volta o poder para administrar os bens do cantor, que serão herdados por sua mãe e seus filhos. Com dívidas que podem chegar a US$ 600 milhões e decisões estratégicas a tomar sobre o reembolso de US$ 85 milhões dos ingressos da turnê "This is it", para a qual Michael estava ensaiando, Branca e McClain declararam que seria essencial que os executores assumissem o controle. Desta forma, poderiam recomeçar as negociações com a AEG Live, promotora dos shows em Londres para os quais Jackson se preparava. Na semana passada, foram divulgadas imagens do ensaio para as apresentações, ocorrido na véspera da morte, nas quais o astro aparece cantando e dançando. Parecia feliz.

Na segunda-feira 6, deve acontecer uma audiência para discutir como questões financeiras e pessoais de Michael Jackson deverão ser conduzidas.

O juiz da Suprema Corte de Los Angeles responsável pelo caso já negou o pedido de McClain e Branca de tirar de Katherine a posse temporária dos bens de Jackson. Devem entrar em pauta também questões polêmicas, como a guarda de Prince, 12 anos, e Paris, 11 anos. As crianças teriam sido concebidas por meio de fecundação in vitro, mas nem os óvulos de Debbie nem o sêmen de Jackson foram usados, segundo o site TMZ. Debbie afirmou que irá fazer um teste de DNA para provar que é a mãe biológica das crianças. "Quero meus filhos", disse à rede NBC 4.

Mortes de ídolos da música tendem a dar um impulso importante nas finanças. Os herdeiros do roqueiro Elvis Presley tiveram rendimentos de US$ 52 milhões no último ano, segundo o ranking da revista Forbes. Para efeito de comparação, Madonna ganhou US$ 40 milhões no mesmo período.

Jackson tem na biografia vários ingredientes para seguir o mesmo caminho, como uma morte inesperada, suspeita de abuso de remédios que necessitam de prescrição médica e, claro, um imenso talento que o alçou à condição de Rei do Pop. Um termômetro do que está por vir é a venda de álbuns na rede britânica HMV, onde, no prazo de uma semana a partir do falecimento dele, a procura por discos do ídolo se multiplicou por 80. Segundo a rede, esse aumento ultrapassa o que se seguiu às mortes de Elvis Presley, em 1977, e John Lennon, em 1980 A revista Billboard, uma das maiores referências mundiais em música, indicava que Jackson estava na nona colucação entre os dez álbuns mais vendidos na quarta-feira 1º.

fotos: Kevin Mazur/AEG via Getty Im ages; AF P PHO
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3/7/2009


 
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