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Entrevista  
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Felipe Camargo
"Não sou ex-drogado. Sou vencedor"
Após 17 anos, o ator volta a protagonizar uma minissérie da Rede Globo e conta como se livrou das drogas

por Renata Cabral



"Tenho uma gratidão enorme pelo Fernando Meirelles por ter acreditado em mim e me dado um personagem de ponta"
Fotos: Daniela Dacorso, Hélcio Nagamine - Ag. Isto

ISTOÉ - Como recebeu o convite para participar de "Som e Fúria"?
Camargo - O meu personagem, o Dante, é, sem dúvida alguma, o mais rico que já fiz. Na minissérie estabeleceram um paralelo entre ele e Hamlet, de William Shakespeare. Interpreto um diretor atormentado, que some durante uma encenação, justamente de Hamlet, e se isola por sete anos. Tenho uma gratidão enorme por Fernando Meirelles pelo fato de ele ter acreditado em mim e me dado um personagem de ponta. Até perguntei: "Fernando, eu fui meio o bagaço da laranja?" E ele me disse que não, que eu havia sido a primeira pessoa que ele pensou quando pegou a série. Ele tinha visto o filme "Jogo Subterrâneo", de 2003, e a série "Filhos do Carnaval", que fiz no canal a cabo HBO.

ISTOÉ - O sr. tinha outro projeto?
Camargo - Eu estava praticamente havia um ano sem trabalhar. Como as propostas não vinham, comecei a sentir angústia. Eu falo inglês, havia passado dois meses nos Estados Unidos estudando a língua, e pensei em tentar alguma coisa lá fora porque não estava acontecendo nada aqui.

ISTOÉ - Dificuldades financeiras?
Camargo - Não. Iria tentar carreira no Exterior por frustração mesmo. Tanto que fiz a viagem E fiquei dois meses. Eu aprendi a juntar dinheiro. Antigamente, gastava tudo.

ISTOÉ - O sr. assinou um contrato com a Rede Globo?
Camargo - Sim, de dois anos. Vou fazer a próxima novela das 19h, "Bom Dia, Frankenstein", e, se o ibope de "Som e Fúria" corresponder às expectativas, vamos fazer a segunda temporada da série.

ISTOÉ - Sentiu falta da fama no tempo em que esteve afastado?
Camargo - A fama é um dos aspectos que acho mais chatos na profissão. Detesto o estrelismo. Se eu pudesse ser duas pessoas, uma para sair na rua e outra para viver a minha vida, eu seria. Duvido que haja um ator bom que goste da invasão de privacidade.

ISTOÉ - Aprendeu a conviver com a fama no início da carreira?
Camargo - Não sabia lidar. Do dia para a noite, fiquei conhecido de uma forma muito forte. Hoje tenho mais experiência e o público que me aborda não é mais constituído de adolescentes histéricas.

ISTOÉ - Na época, se deslumbrou?
Camargo - É claro que fui chamado para muitas festas, comecei a ganhar muito mais dinheiro do que quando fazia teatro, pude dar bons presentes para a minha família, pagar a conta de dez ou 15 pessoas numa mesa. Coisas que eu fazia pensando que aquilo era para sempre. Certa vez um amigo me viu na rua e não falou comigo. Eu o cumprimentei e percebi que ele ficou sem jeito. Tempos depois ele me contou que teve medo de me cumprimentar porque eu havia me tornado celebridade. Eu mandei-o logo para aquele lugar e falei: "Sou eu, não mudei nada, isso é uma outra história." Eu não acho que me deslumbrei, mas curti bastante essa fama e aproveitei o lado bom que tinha, de viajar e gastar dinheiro. E aproveitei o assédio que recebi ainda solteiro.

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3/7/2009


 
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