ISTOÉ - Independente
   
  EDIÇÃO ATUAL
  EDIÇÕES ANTERIORES
  ESPECIAIS
   
   
  CAPA
  REPORTAGENS
  CIÊNCIA & TECNOLOGIA
  BRASIL
  COMPORTAMENTO
  MEDICINA & BEM ESTAR
  MEIO AMBIENTE
  ECONOMIA E NEGÓCIOS
  CULTURA
  COLUNISTAS
  BRASIL CONFIDENCIAL
   
   
  EDITORIAL
  ENTREVISTA
  A SEMANA
  GENTE
  EM CARTAZ
  OPINIÃO & IDÉIAS
  SEU BOLSO
  BASTIDORES
   
   
  FALE CONOSCO
  EXPEDIENTE
  ANUNCIE
  ASSINE ISTOÉ
  LOJA 3
   
   
 



Cinema  
Imprimir
 
Diploma antecipado
O universitário Matheus Souza tem 20 anos e rodou um longa com apenas R$ 8 mil. E o filme é ótimo

Renata Cabral

CRIATIVO Para bancar a produção do filme, Souza rifou uma garrafa de uísque

Para fazer um filme, basta uma câmera na mão e uma ideia na cabeça: poucas vezes essa frase de Glauber Rocha soou tão adequada. Ela foi adotada ao pé da letra por Matheus Souza, 20 anos, estudante de cinema da PUC do Rio de Janeiro, que acaba de lançar seu primeiro longa-metragem, "Apenas o Fim". Rodar um longa-metragem com tão pouca idade e ainda conseguir colocá-lo nos cinemas não é novidade. O próprio Glauber Rocha fez "Deus e o Diabo na Terra do Sol" com 24 anos.

A novidade é que a produção de "Apenas o Fim" consumiu menos de R$ 8 mil, uma quantia irrisória nesse tipo de atividade. E o filme é ótimo. Graças a esse trunfo, sua obra já foi vista em mostras na França, Polônia, Holanda e nos EUA. Para Walter Lima Junior, autor de "Os Desafinados", o rapaz, além de talentoso, tem senso de oportunidade. "Ele fez um primeiro trabalho de conveniência, ainda vai caminhar para outras direções", diz.

A primeira decisão acertada foi moldar o enredo de "Apenas o Fim" em função das limitações enfrentadas. Como medida de economia, Souza usou os equipamentos da universidade e, mais importante, centralizou o enredo em apenas dois personagens, interpretados por Érika Mader e Gregório Duvivier, dois colegas de escola. Eles interpretam um jovem casal que passa uma hora junto, antes de a garota fugir para um lugar desconhecido.

O elenco de "Apenas o Fim" conta somente com os atores Érika Mader e Gregório Duvivier- amigos da PUC

Para conseguir os R$ 8 mil de que precisava, Souza contou com um patrocínio da reitoria, rifou uma garrafa de uísque e, muitas vezes, reduziu seu almoço a um pacote de biscoito de polvilho, conseguindo assim poupar alguns trocados. Filme pronto, teve a ajuda de Mariza Leão, também professora da PUC-Rio e produtora de "Meu Nome não é Johnny", para que a obra conseguisse transpor os muros da universidade.

Os elogios não deixaram o estreante com o ego inflado. "Não fiz uma obra-prima e sei disso. Posso melhorar", diz. Mesmo quem não gostou da história reconheceu seu valor. Essa ala rotulou a obra de "fofo movie",ou seja, bonitinho mas sem muito conteúdo. Souza se defende: "Falo sobre relações humanas, é o que sei fazer aos 20 anos." O veterano cineasta e diretor de teatro Domingos de Oliveira, influência admitida do rapaz, o considera uma revelação.

"Ele filma igual a mim, temos referenciais parecidos", diz ele, que convidou o pupilo para participar de duas peças de teatro. Nerd assumido, Souza é fã de videogame, quadrinhos e computadores e leva esse lado pessoal para seus trabalhos. "Li que a melhor forma de aprender a filmar era fazer um filme", diz ele, que já tem dois novos longas-metragens em produção. "Pessoas Felizes" está ainda no estágio de roteiro e será inscrito na seleção do festival de cinema de Sundance dedicada a novos diretores. "Por Enquanto" será o seu trabalho de final de curso. Mas, a essa altura, ele já pode se considerar diplomado.

 

 

26/6/2009


 
Receba as informações de Isto É semanalmente em seu e-mail:
 
 
 
 
 
 




 
 
 
 
 
   
 
Imprimir

   
   
   

© Copyright 1996-2008 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.

ContentStuff - Media Solutions