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Ciência & Tecnologia  
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O homem reproduz a luz das estrelas
Os EUA inauguram a primeira máquina que, por meio do laser, gera energia em processo idêntico ao que ocorre no interior dos astros

Luciana Sgarbi

FUTURO Em meio a 192 feixes de laser, cientista dá os últimos retoques no NIF instalado na Califórnia

"Trazendo Energia Estelar para a Terra", diz uma gigantesca faixa recentemente instalada diante do suntuoso edifício do Laboratório Nacional Lawrence Livermore, na Califórnia. Nesse mesmo Estado americano, a iluminação de uma catedral foi inaugurada na semana passada com a presença de ilustres convidados como o governador Arnold Schwarzenegger e o físico Charles Townes, ganhador do Nobel como um dos pioneiros na pesquisa da aplicação do laser. A faixa e a solene inauguração de luzes marcaram o fim de três décadas de estudos e de investimentos que alcançaram a casa dos US$ 3,5 bilhões.

Chegou-se, finalmente, à construção do National Ignition Facility (NIF), a fantástica máquina com 192 feixes de laser capaz de reproduzir a energia das estrelas. Foi por meio da luz produzida pelo NIF que a catedral acendeu e essa é, digamos assim, a função desse instrumento: fazer na Terra, valendo-se de laser, o que as estrelas "fazem" no espaço - ou seja, gerar energia. Eis a sua importância como fonte de iluminação: já que se estima que a demanda global por energia deverá duplicar nos próximos 50 anos em todo o mundo, o NIF será meio inesgotável de geração. E fonte barata. "A potência instantânea do National Ignition Facility é 100 mil vezes a energia elétrica consumida no planeta", disse à ISTOE o superintendente do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), Nilson Dias Vieira Junior. Mas há também importância quanto ao meio ambiente. Basta lembrar que uma das melhores alternativas para o futuro é a chamada energia de fusão nuclear, obtida com emissão zero de gás carbônico. É justamente essa forma de energia que o NIF produz.

O funcionamento dessa máquina de laser baseia-se nas estrelas e entre elas está o Sol - o fenômeno que ocorre no interior desse astro, a energia nele gerada, é o que se define como fusão nuclear. "Os núcleos de moléculas se fundem liberando uma imensa descarga de energia visível a todos nós", diz Vieira Junior. Segundo o físico, pode-se estabelecer uma analogia com a combustão em automóveis: "Quando uma molécula de álcool ou gasolina reage com o oxigênio, essa reação é iniciada por uma descarga elétrica que movimenta o carro." Da teoria para a prática, no coração do NIF existem os tais 192 lasers (construídos com cerca de 90 quilômetros de espelhos, fibra óptica, cristais e amplificadores de luz) que bombardeiam - como uma artilharia na qual todos os canhões disparassem ao mesmo tempo - um ínfimo grão de combustível hidrogênio (menor que uma cabeça de fósforo). Comprimidos e aquecidos a temperaturas maiores que aquelas dos núcleos das estrelas, os núcleos do hidrogênio se fundem para formar o hélio (gás usado em dirigíveis e ba

 

10/6/2009


 
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