TEATRO
Fernanda existencialista
No sepultamento do filósofo francês Jean- Paul Sartre, a sua mulher, Simone de Beauvoir, pediu uma cadeira para ficar sentada do lado da tumba. É também assim, sentada em uma cadeira, imóvel e de frente para a plateia, que Fernanda Montenegro interpreta a escritora no monólogo "Viver sem Tempos Mortos", em cartaz no Teatro Sesc Anchieta, em São Paulo, até o dia 28 de junho. Duranporte uma hora, Fernanda expõe as ideias da personagem em torno da política, do amor e da vida, numa interpretação que enfatiza o poder da palavra. Os ingressos para a temporada de quatro semanas esgotaram antes da estreia e o melhor elogio que se pode fazer a esse espetáculo simples e grandioso é que ele tenha a sua temporada urgentemente prolongada.
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LIVROS
O alfabeto das artes
Chama-se "Primeira Individual" (Cosac Naify) a seleção de artigos sobre artes plásticas do jornalista Antonio Gonçalves Filho. Feita em ordem alfabética, a antologia evita a tentação da abordagem evolutiva e privilegia o trabalho do artista. Vai do cinético Abraham Palatnik ao neoconcreto Willys de Castro, passando por Paulo Pasta e Mira Schendell, com os quais o autor tem uma forte ligação.
AS LÁGRIMAS AMARGAS DE PETRA VON KANT
Fernanda foi a protagonista da peça de Rainer Fassbinder sobre o trágico amor de duas mulheres
FEDRA
Dirigida por Augusto Boal, a atriz encarnou a personagem clássica numa adaptação do texto do francês Jean Racine, do século XVII
DONA DOIDA
Monólogo baseado nos escritos da poeta mineira Adélia Prado. A direção foi de Naum Alves de Souza
THE FLASH AND CRASH DAYS
Ela atuou ao lado da filha, Fernanda Torres, nessa peça dirigida por Gerald Thomas
DIAS FELIZES
Nessa montagem do texto do irlandês Samuel Beckett, a atriz contracenou com o marido, Fernando Torres
CINEMA 1
Se eu não fosse você
Como o bem-sucedido "Se eu Fosse Você", a comédia "A Mulher Invisível", de Cláudio Torres (em cartaz na sexta-feira 5) parte de uma situação óbvia: um homem se apaixona por uma mulher imaginária que só ele vê. Essa seria uma piada qualquer se o homem não fosse interpretado por Selton Mello e se ela, o objeto de sua paixão, não tivesse a estampa de Luana Piovani. Bom exemplo de cinema popular, o filme leva a uma constatação triste, depois de tanto riso: o Brasil aprendeu a macaquear o pior de Hollywood.
CINEMA 2
Um músico no velório
O longa-metragem japonês "A Partida" (estreia na sexta-feira 5) ganhou este ano o Oscar de melhor filme em língua estrangeira, vencendo favoritos como "Gomorra" e "Valsa para Bashir".
Conta a história de um violoncelista (Masahiro Motoki) que perde o emprego na orquestra de Tóquio e passa a trabalhar numa funerária. A sua função é preparar os corpos para a cremação, ritual chamado de nokan. O enredo serve de mote para que o diretor Yojiro Takita aborde com sensibilidade e humor temas recorrentes no cinema como a morte, a solidão e a amizade.
DOSE DUPLA
Bom até com aplausos
Discos ao vivo costumam ser uma cópia pálida dos shows que lhes dão origem. "Astral Weeks Live at the Hollywood Bowl", do cantor irlandês Van Morrison, e "Live in London", do cantor canadense Leonard Cohen, fogem à regra. Os próprios shows foram concebidos para se transformarem em discos superiores.
O primeiro CD é uma releitura atual de "Astral Weeks", clássico álbum que Morrison lançou em 1968.
O segundo disco traz o melhor dos diversos álbuns de Cohen, contemplando canções também clássicas como "Bird on a Wire", "Suzanne", "I'm your Man" e "Hallelujah", sucesso interpretado depois por gente como Bob Dylan, John Cale, Jeff Buckley, Rufus Wainwright e k.d. lang.
MOSTRA INTERNACIONAL DE TEATRO
(CCBB, Brasília, até 28/6) - Espetáculos vindos da Argentina, França, Itália e Rússia, como "A Família", do grupo russo Teatr Licedei |
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ABRAHAM PALATNIK
(Anita Schwartz, Rio de Janeiro, até 27/6) - Pinturas, serigrafias e objetos do artista potiguar, entre eles 19 trabalhos recentes e inéditos |
FOTOGRAFAR COMO CAMINHAR
(Galeria Nara Roesler, São Paulo, até 20/8) - 23 fotos inéditas de Cristiano Mascaro retratando a paisagem urbana
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