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Ciência & Tecnologia  
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Google espião
O serviço Street View pode até ser divertido - mas invade a privacidade das pessoas em diversos países

Tatiana de Mello

FLAGRANTE Em Londres, câmeras registram o movimento em um sex shop

A intenção é boa: oferecer a internautas a oportunidade de conhecer virtualmente diversas cidades de todo o mundo por meio de câmeras espalhadas pelos mais diferentes locais. Mas o serviço Google Street View começou a dar muita dor de cabeça aos moradores das cidades filmadas - imagine, um dia, acordar e ver a fachada de sua casa, seu carro ou até a intimidade de sua família escancarados à multidão. É isso o que está acontecendo em muitos lugares e uma das vítimas desse reality show globalizado foi o astro Paul McCartney. A frente de sua mansão, localizada em elegante bairro de Londres, foi fotografada, e as imagens, jogadas na internet. O ex-Beatle, sem disfarçar em nada a profunda indignação, ordenou que as fotos fossem imediatamente retiradas da rede.

Esse é o mais recente caso entre uma infinidade deles que geraram polêmicas sobre esse serviço do Google. O Street View funciona com fotógrafos que percorrem as ruas de determinada cidade, de carro ou de bicicleta, registrando imagens em 360 graus. Elas ficam interligadas ao Google Maps e ao Google Earth e, para acessá-las, basta entrar nos mapas das cidades que têm o serviço e clicar o botão "Street View". O usuário consegue ter uma visão panorâmica dos pontos percorridos - e da vida dos habitantes também. O problema é que, muitas vezes, pessoas são fotografadas sem autorização e surpreendidas em momentos íntimos. Recentemente, um casal inglês se divorciou após o marido ter sido flagrado saindo de um sex shop.

O Google já está proibido de tirar fotos na Grécia, e na Alemanha o governo exige que as imagens capturadas sejam apagadas - isso por força da lei que proíbe filmar ou fotografar pessoas e imóveis sem consentimento. No Japão, o serviço foi acusado de invasão de privacidade porque as câmeras, dispostas em lugares altos, flagraram áreas privadas por cima dos muros. "Qualquer pessoa pode solicitar a retirada de imagens que julgar inapropriadas", disse o Google à ISTOÉ por meio de sua assessoria. Por enquanto, porém, os brasileiros podem passear tranquilos: não há previsão de desembarque desse serviço no País.

 

 

29/5/2009


 
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