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Medicina & Bem-estar  
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O alívio da rinite
Três novas medicações reduzem os espirros, a coriza e a coceira causados pela alergia

Cilene Pereira

PREJUÍZO Adriana sofre com crises da doença desde criança

Para cerca de 47 milhões de brasileiros que sofrem de rinite alérgica, a rotina pode se tornar mais complicada do que o normal. As crises da doença, caracterizadas por espirros, coriza, olhos lacrimejantes e coceira, atrapalham o sono e o rendimento no trabalho e na escola. Uma pesquisa realizada em oito países da América Latina - incluindo 408 brasileiros - mostrou que 43% dos adultos entrevistados no País apresentam esses sintomas o ano inteiro e 55% os manifestam de forma intermitente. O grau de desconforto foi apontado como intolerável por 39% dos participantes, resultando em cansaço, irritação, ansiedade e até mesmo em depressão leve. Três novidades, contudo, prometem dar alívio aos pacientes. São medicações que acabam de chegar ao mercado nacional com propostas diferentes de ação e que, na avaliação dos especialistas, podem melhorar a estratégia de prevenção e de tratamento da enfermidade.

A rinite alérgica é uma inflamação da mucosa nasal causada pela exposição a alguma substância que provoca alergia (alérgeno). No Brasil, o agente mais comum responsável pelo desencadeamento das crises são os ácaros. Quando exposto a algum alérgeno, o corpo produz uma reação de defesa exagerada com o objetivo de impedir que a substância estranha chegue aos pulmões. Esse excesso de resposta do sistema imunológico gera muito mais muco, provocando espirros, coriza e obstrução do nariz. Em alguns casos também há coceira nos olhos e nos ouvidos e irritação na garganta.

O tratamento se baseia em três pilares: sempre que possível, manterse afastado de alérgenos mais comuns (estratégia conhecida como higiene ambiental), usar remédios na hora das crises (antialérgicos) e fazer a prevenção. Esta última medida é executada com a utilização de medicamentos à base de corticosteroides.

A primeira novidade contra a doença é o remédio Omnaris. Ele está sendo chamado de droga inteligente: só começa a agir quando entra em contato com as células da mucosa nasal. Essa característica reduz a possibilidade de eventuais efeitos adversos que podem ocorrer quando doses residuais do remédio escorrem pela garganta e chegam ao estômago. "Esta droga acrescenta segurança aos pacientes", afirma o médico João Ferreira de Mello Jr., chefe do Grupo de Alergia em Otorrinolaringologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Além disso, a medicação apresenta maior concentração de água em relação às células da mucosa nasal, o que facilita sua absorção. A segunda boa nova é o medicamento Avamys. O diferencial do remédio é tratar também as consequências da rinite nos olhos - a alergia causa uma coceira irritante e bastante incômoda para os pacientes.

O tratamento se baseia em três pilares: higiene ambiental, medicações para controlar os sintomas e remédios preventivos

O outro medicamento que acaba de chegar ao mercado brasileiro ajuda a evitar as crises. O Nasaleze é composto por celulose micronizada inerte. Quando aplicada nas narinas, forma uma fina camada de gel, construindo uma barreira mecânica contra tudo o que pode iniciar uma crise. "Dessa maneira, o alérgeno não tem contato com a mucosa nasal", explica Martti Antila, diretor da Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, seção São Paulo.

O aperfeiçoamento do controle da doença por meio de opções mais eficazes ajudará pacientes como a fisioterapeuta Adriana Meire da Costa, 28 anos. Ela sofre com as crises desde criança e nem sempre consegue seguir o tratamento preventivo como deveria. "Às vezes, demoro para retornar ao médico e as crises voltam", conta.

 

29/5/2009


 
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