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ROSEANA SARNEY
"Problema de saúde não prejudica candidatura"
Às vésperas de nova cirurgia, a governadora do Maranhão diz que o maior desafio de Dilma Rousseff será fechar as alianças políticas

Por Sérgio Pardellas

TERCEIRO MANDATO De volta ao Palácio dos Leões, Roseana se licenciará no fim do mês para fazer a 21ª cirurgia

Será a 21ª cirurgia em 36 anos. No fim do mês, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), 55 anos, enfrentará mais uma vez o bisturi para a retirada de um aneurisma cerebral, em um hospital de São Paulo. Ela espera retornar ao trabalho em 30 dias. Em sua carreira, a convivência com problemas de saúde tornou-se parte da rotina. "Sempre enfrentei a doença e a política", diz. Tão logo a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, divulgou que irá se submeter ao tratamento de câncer, Roseana teve uma longa conversa com ela. "Dei força. Disse que enfrentasse com determinação." Na avaliação da governadora, o problema de saúde não será obstáculo para o projeto político da ministra. "Tive vários problemas, um deles, inclusive, na época da eleição de 1998. Problema de saúde não prejudica candidatura. Acredito que o povo brasileiro está muito amadurecido em relação a isso." Segundo a filha de um dos mais importantes nomes do PMDB, Dilma é uma pré-candidata à Presidência da República e o mais importante é ela se viabilizar, ou seja, costurar as alianças políticas.

Nesta entrevista à ISTOÉ, a governadora, que tomou posse depois de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassar o ex-governador Jackson Lago (PDT), rebate as críticas feitas à sua família, acusada pela imprensa internacional de ser uma oligarquia. Roseana diz também como pretende resolver as mazelas do Estado - o penúltimo no Índice de Desenvolvimento Humano (perde apenas para Alagoas). Sete anos após deixar o Palácio dos Leões, Roseana assumiu um Maranhão em calamidade pública. Devido às fortes chuvas há quase um mês, 64 municípios decretaram estado de emergência, entre os quais a capital, São Luís. Há cidades inteiras, como Trizidela do Vale, debaixo d'água. O total de pessoas afetadas já chega a 168 mil. E os desabrigados somam 50 mil. "Terei que reconstruir o Maranhão", afirma.

ISTOÉ - A sra. deixou claro, logo que assumiu o governo do Maranhão, que quer se dissociar da imagem do seu pai, o presidente do Senado, senador José Sarney (PMDB-AP). Por quê? Roseana Sarney - Tenho muito orgulho de ser filha de José Sarney, acho que o nome dele me ajudou bastante, a experiência também contribuiu muito, mas eu caminho com meus próprios pés e sempre foi assim. Isso que eu quis dizer. Sempre tive minhas posições independentemente de meu pai, e vai continuar sendo assim. O que acontece é que inventam coisas sobre a nossa família, falam em oligarquia, só que eu passei sete anos fora do governo.

Foram seis anos de oposição. Agora, do jeito que falam, estou governando pelos outros. Demais, não acha?

ISTOÉ - Mas não é verdade que a família Sarney está há cinco décadas no poder? A revista britânica The Economist falou em semifeudalismo, depois de destacar o fato de o Maranhão ser um dos líderes do ranking brasileiro de subdesenvolvimento.
Roseana - Nunca me beneficiei dessa suposta oligarquia de que falam. Nem quando fui eleita ao governo do Estado pela primeira vez, em 1994, nem agora. E os que estão na minha oposição hoje governaram o Estado durante pelo menos 20 dos últimos 40 anos. Respondo por mim. Só governei o Maranhão por dois períodos (1995-2002) e agora.

ISTOÉ - Por que o Maranhão tem um dos piores indicadores sociais do País? Roseana - Só posso responder pelo meu período. No meu período, posso provar que todos os indicadores sociais melhoraram.

ISTOÉ - A sra. está preparada para uma oposição ferrenha, já que o ex-governador (Jackson Lago), embora tenha tido o mandato cassado na Justiça, recebeu mais votos nas últimas eleições? Roseana - A população compreendeu bem e tenho percebido esse sentimento nas ruas. Afinal, eu que fui prejudicada, eu que perdi dois anos e quatro meses de mandato. Na seara política, estamos tentando fazer uma união pelo Maranhão. Chamando todos os partidos e os prefeitos para discutir os problemas do nosso Estado, que estão sendo vistos a olho nu.

De qualquer forma, já estou acostumada com oposição. Sou política, escolhi ser política e, pelo fato de ser mulher, ser do Nordeste e filha de José Sarney, sempre fui alvo de preconceito e falácia.

ISTOÉ - A sra. disse, logo após a sua posse, que encontrou problemas administrativos graves. O que apontaram as auditorias?

"Sou política, escolhi ser política e, pelo fato de ser mulher, ser do Nordeste e filha de José Sarney, sempre fui alvo de preconceito e falácia"

Roseana - A coligação do Jackson Lago gastou R$ 1 bilhão, em convênios, para se eleger. E gastou mais R$ 1 bilhão antes de sair. Só que não há uma obra no Estado. Há seis anos, não é feito nenhum programa de obras estruturantes no Maranhão.

Agora, as auditorias apontaram coisas absurdas. Todo tipo de desvio. Por exemplo, na Casa Civil foram encontradas 290 linhas telefônicas com contas acima de R$ 200 mil por mês. Carros alugados a R$ 590 por dia. Foi um desgoverno completo.

ISTOÉ - O maior desafio da sra. então, ao assumir essa espécie de mandatotampão de 20 meses de governo, é corrigir o que chamou de desgoverno?
Roseana - Encontrei o Maranhão num estado de calamidade pública e administrativa. O maior desafio é governar com emergência nas duas áreas. Tanto administrativamente como para minorar os efeitos das enchentes.

Fazer com que o Estado funcione. Hoje, o Maranhão está parado.

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15/5/2009


 
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