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Todas as mulheres do mundo
O artista francês Titouan Lamazou viajou pelo planeta para retratar o universo feminino - e agora exibe sua arte numa mostra em São Paulo

Natália Rangel

FEMININO PLURAL Lamazou (acima) pinta mulheres de diferentes países há sete anos. Na mostra paulista vai exibir 200 perfis, entre eles o da americana Daisy e o da palestina Azza, moradora da Faixa de Gaza

O artista francês Titouan Lamazou, 55 anos, viajou o mundo para fotografar, desenhar e filmar mulheres de diferentes culturas, religiões e condições sociais – e construiu assim um delicado mosaico do universo feminino. Além de retratar as suas personagens inseridas em seus respectivos contextos sociais, o artista as entrevistou e escreveu uma pequena biografia para cada uma. Entre elas, há 19 brasileiras, de seis Estados. Ele também fotografou na Mauritânia e na Palestina. Do vasto leque que vivenciou ao longo de sete anos, 200 perfis estão na exposição Mulheres do planeta, que chega a São Paulo para ocupar os três andares da Oca a partir da segunda-feira 11, depois de ter atraído 230 mil pessoas no Museu da Humanidade, em Paris. São ao todo três mil obras, entre elas duas mil fotografias e 50 filmes sobre um único tema: a mulher do século XXI.

Lamazou, que veio ao Brasil para a montagem da exposição, nasceu em Casablanca (Marrocos) numa família francesa, mas passou a maior parte de sua vida viajando e estudando os diferentes países que visitou. “Eu sou um ser nômade. A ideia de casa ou lar, para mim, é simplesmente estar num lugar onde me sinta bem”, diz o artista. Muitas das aventuras vividas por ele aconteceram em longas travessias de veleiro, outra grande paixão do pintor e desenhista e que lhe rendeu em 1991 o título de campeão mundial de regata oceânica. As suas experiências nos mares foram registradas em diários de viagem e publicadas na França, nos anos 1990, pela editora Gallimard.

Desde o início de 2002, Lamazou está voltado para essa nova aventura artística de retratar mulheres, movido pelo interesse e pela sedução que o universo feminino lhe desperta: “A história da mulher no mundo e a sua inserção nas diferentes culturas me impressionam.” Há seis anos foi homenageado pela Unesco com o título de Artista pela Paz. Camponesas, advogadas, artistas, refugiadas políticas e professoras são reverenciadas em seu papel na sociedade por meio de fotos, vídeos, desenhos, pinturas, e também através da mais direta forma de expressão, o texto escrito. Todas essas mídias visam apenas a um objetivo: imprimir ao conjunto da obra uma perspectiva estética, política e social.

 

8/5/2009


 
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