Durante décadas, o raciocínio lógico, medido pelos testes de QI, era a grande prova de inteligência. Neles, os homens sempre se saíram melhor do que as mulheres. Eles têm em média cinco pontos a mais no QI e na faixa dos 155 pontos - a dos gênios - há 5,5 representantes do sexo masculino para cada um do feminino.
Nos últimos anos, quando o conceito de inteligência começou a mudar e outras características como interação social, percepção do outro e capacidade de questionamento e argumentação passaram a ser valorizadas na sociedade, um novo olhar foi lançado sobre as aptidões e as habilidades femininas. Mas a dúvida persiste: quem é mais inteligente, o homem ou a mulher?
Uma pesquisa do professor José Abrantes, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que será publicada em livro em julho, conseguiu mensurar o desempenho de homens e mulheres nos 12 tipos de inteligência propostos por Howard Gardner, da Universidade de Boston, nos Estados Unidos (leia quadro à pág. 74), psicólogo que revolucionou esta área de estudo.
Depois de analisar 137 mil notas de 22 mil alunos do Centro Universitário Augusto Motta (Unisuam), no Rio de Janeiro, ele concluiu: as mulheres são superiores em nove das 12 possibilidades de inteligência e, de acordo com a metodologia de sua pesquisa, 3% mais inteligentes porque obtiveram notas 3% superiores às dos homens. Outras constatações:
Entre as mulheres, há menor variação entre a maior e a menor nota. Isso acontece porque elas têm interesse em assuntos variados. O grupo feminino se destaca em física e química experimental. O masculino é melhor em física e química teórica, o que confirma nelas a visão periférica superior e a habilidade manual.
Em anatomia, os homens apresentaram médias mais altas, o que pode ser explicado pela melhor visão espacial deles. Nas disciplinas dança educacional e ginástica, que estão relacionadas à expressão corporal, as mulheres foram superiores. Os homens se sobressaem na destreza da articulação dos movimentos para atingir um objetivo, como é necessário no futebol, além da força física.
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Na matemática, elas têm mais facilidade para aplicar fórmulas em cálculos, mas eles dominam o raciocínio, ou seja, têm melhor compreensão do processo lógico. Para verificar o nível de inteligência dos alunos através das notas, Abrantes relacionou cada disciplina às 12 possibilidades propostas por Gardner.
As matérias de humanas, por exemplo, são associadas às inteligências linguísticas e pessoais; as de exatas, às habilidades lógico-matemática e espacial; os cursos das áreas de artes são distribuídos pelas inteligências musicais, pictóricas e cinestésicas - esta última para os cursos de educação física e dança. O cruzamento de dados considerou um número proporcional de homens e mulheres para cada curso analisado.
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Um outro estudo realizado pela bióloga Marta Relvas, da Sociedade Brasileira de Neurociência, com 40 alunos do ensino fundamental, comprova as habilidades múltiplas do sexo feminino. O resultado foi publicado no livro Neurociência e educação. Potencialidades dos gêneros humanos na sala de aula, lançado em março. A pesquisa revela que elas se sobressaem em testes de percepção, memória e coordenação motora, enquanto eles se dão melhor na relação com objetos tridimensionais, pontaria e no raciocínio matemático.
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