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Editorial  
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A faxina do congresso

Acreditar piamente que o Congresso brasileiro vai mudar por inteiro com a proposta de reforma lançada por seus líderes é otimismo. Apostar em uma sacudida que limpe em parte os ana c roni smos é mais pragmático. Não desanime. Trata-se de um avanço e tanto. Entre idas e vindas comandadas pelo chefe da Câmara, Michel Temer, eis que a farra das passagens pode ser dada como morta e enterrada. Ao menos no formato amplo, geral e irrestrito.

Agora viaja quem tem mandato, quatro vezes por mês, para o seu Estado de origem, e ponto. Todo extra nesse sentido, somente com aprovação da terceira secretaria. Adeus, Miami, Paris, Nova York, Milão - ao menos naquele esqueminha esperto, sacado direto do bolso do contribuinte, sem nem dar satisfação. Sim, as movimentações de gastos continuarão transparentes, com a divulgação na rede, para desespero de um certo parlamentar que não queria ver "minhas coisas" na internet.

O dito cujo, tal e qual vários dos seus pares, mistura sem pudor a coisa pública com a privada. O Senado também estuda adaptações do modelo em vigor, no mesmo passo da Câmara. Na prática, o Congresso vai passar por uma faxina. Primeiro, de métodos. Depois, quem sabe, uma faxina eleitoral moralizadora com a volta às urnas no ano que vem. Na faxina de métodos, a Câmara deu partida aos trabalhos. Uma comissão formada na semana passada terá 30 dias para avaliar ajustes nas regras das verbas indenizatórias que bancam gastos com telefone, correios e outras coisinhas corriqueiras das benesses parlamentares. Deve enfrentar um muro de lamentações enorme. Nele políticos armam fileiras contra a perda de privilégios.

A resistência a mudanças está na ordem do dia, sem nenhum constrangimento ante o clamor nacional. Muitos dos senhores da política creem cegamente que são merecedores de direitos compulsórios inerentes ao mandato público que exercem. Tanto que o presidente da Câmara desistiu de levar a proposta de fim da "farra de passagens" ao plenário. Temia perder fragorosamente. Impôs, por prerrogativa do cargo, com o apoio dos líderes partidários. Melhor assim. Alguém tem que pôr ordem no picadeiro.

Carlos José Marques, diretor editorial

 

 

30/4/2009


 
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