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Ciência & Tecnologia  
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Capacetes que pensam
Chegam ao mercado aparelhos que usam impulsos do cérebro para comandar videogames e interagir no mundo virtual

Luciana Sgarbi

EMOTIV EPOC Através de eletrodos ligados à cabeça é possível pensar e enviar o "pensamento" ao computador

Imagine escrever em um blog sem usar as mãos. Ou jogar videogame dispensando o joy stick. Mais: fazer movimentos com o rosto para interagir em um mundo virtual. Isso é possível e o instrumento adequado já está à venda. Três empresas estão colocando no mercado uma parafernália tecnológica que tem em comum o mesmo sistema: o eletroencefalograma que registra circuitos elétricos do cérebro. A medicina se vale dele há tempos. Agora é a engenharia biomédica que apresenta o BCI, o Epoc e o NeuroSky, evoluções fantásticas de entretenimento no mundo digital.

O trabalho foi árduo no laboratório da empresa australiana Emotiv. A ideia era deixar as mãos dos jogadores livres, e eles usarem apenas a força de seus pensamentos. Foi assim que nasceu o Epoc, um capacete que interpreta a interação dos neurônios no cérebro e envia os dados, por meio de conexão sem fio, para um computador.

"Essa tecnologia possibilita ao usuário manipular um jogo ou um ambiente virtual naturalmente", diz Tan Le, presidente da Emotiv. Como o nosso cérebro envolve cerca de 100 bilhões de células que emitem impulsos elétricos, ele é o comando ideal para o funcionamento do novo capacete. A interface cérebro-computador lê os impulsos elétricos e os traduz em "ordens" que podem ser aceitas por um videogame.

BCI O microblog Twitter ganhou um capacete que transforma impulso cerebral em letras para postagens

Na mesma linha de jogos do Epoc há o NeuroSky, capacete que permite ao jogador usar suas ondas cerebrais para acender a espada do personagem Darth Vader. Ele identifica sinais elétricos cerebrais captados por um eletrodo e os transmite para um sensor sem fio acoplado ao brinquedo. Quando o usuário se concentra, o produto responde a comandos para os quais o brinquedo foi programado. Já a falta de concentração faz com que a espada se apague.

Saindo do campo dos jogos e entrando no terreno das ferramentas de comunicação da internet, o BCI- 2000 foi feito para o microblog Twitter.

Sem tocar no teclado e apenas olhando a tela de um computador, o seu criador, o engenheiro biomédico Adam Wilson, da Universidade de Wisconsin, fez "aparecer" a seguinte mensagem: "Usando eletroencefalograma para postar o Twitter." Ele conectou o capacete ao computador e instalou previamente um alfabeto na tela. Para "escrever" basta que o usuário se concentre em uma determinada letra, o capacete a identifica e ela brilha, dando um sinal de que a sua seleção foi aceita. Assim, frases são formadas. "É ideal para o Twitter, que permite apenas 140 caracteres por postagem", diz Wilson.

 

 

30/4/2009


 
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