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Espetáculo
Os amores Brasileiros do Cirque Du Soleil
A trupe traz ao País o show Quidam, enquanto uma disputa judicial agita seus bastidores: a brasileira Rizia Moreira quer US$ 40 milhões do ex-marido e criador do circo, Guy Laliberté

Ivan Claudio

QUIDAM A companhia fará turnê de um ano por nove cidades brasileiras. Estimase que 800 mil pessoas assistam ao espetáculo

O Cirque du Soleil tem dois casos de amor com o Brasil. O primeiro é bem antigo, anterior à fama atual da trupe. Começou em 1991, quando o criador da companhia, Guy Laliberté, conheceu em Búzios a modelo mineira Rizia Moreira, na época com 17 anos. Em 1994, ela foi morar com o artista no Canadá, mas os dois não se casaram oficialmente.

Tiveram três filhos. Agora protagonizam um rumoroso caso judicial em Montreal, onde fica a sede do Cirque: segundo o jornal canadense La Presse, "madame" (é assim que Rizia é tratada pela imprensa local devido ao segredo de Justiça que proibiu a revelação de seu nome) entrou com uma ação de reconhecimento de união estável contra o "senhor" e pede pensão mensal de US$ 45 mil e indenização de US$ 40 milhões.

Tratados também como Lola e Éric, seus nomes vazaram quando uma jornalista da TVA de Montreal citou o Cirque du Soleil numa reportagem sobre o processo. Desde janeiro não se fala em outra coisa na cidade.

O outro caso de amor do Cirque com o Brasil é mais recente: começou ha três anos, quando seus espetáculos passaram a viajar pelo País - e esse namoro vai muito bem. Quidam, o terceiro show, que estreia em junho e ficará mais de um ano em cartaz, passando por nove cidades, representa um novo recorde para a companhia: a sua turnê vai ser a maior em itinerância na América Latina e a mais longa já feita fora do Canadá.

Além das relações mais longas, digamos que há também um flerte do Cirque du Soleil com o Brasil. Trata-se da estreia do espetáculo comemorativo dos seus 25 anos, em cartaz desde a quinta-feira 23 em Montreal. Baseado na vida dos insetos, Ovo foi escrito e dirigido pela coreógrafa Deborah Colker e traz entres seus criadores o músico Berna Ceppas e o cenógrafo Gringo Cardia.

A presença de artistas brasileiros na trupe não é novidade: hoje existem, ao todo, 36 trabalhando nos sete shows em turnê pelo mundo, como Dralion e Varekai, e nos nove fixos, como Love e Kà, ambos encenados nos cassinos de Las Vegas. São atores e atrizes, como Silvia Aderne, que atua em Love, com música dos The Beatles, mas também estão presentes capoeiristas, patinadores e skatistas. Silvia, 74 anos, está desde 2006 em Las Vegas. "Sou a mais velha do elenco. Faço a personagem Eleanor Rigby, da canção de Paul McCartney e estou muito feliz com o show", diz ela.

Foi em 2006, mesmo ano da estreia de Love, que Deborah Colker recebeu o convite para dirigir Ovo. A ideia do espetáculo veio da própria companhia, mas a coreógrafa teve carta branca. O supervisor artístico do Cirque, Gilles St-Croix, achou o resultado instigante: "É um espetáculo bem estranho e construído basicamente sobre movimentos."

 

 

IMPÉRIO Criador da companhia canadense, Guy Laliberté tem uma fortuna de US$ 2,5 bilhões. Sua ex-mulher, a mineira Rizia Moreira, pede na Justiça o estatuto de união estável, pensão mensal de US$ 45 mil e indenização de US $ 40 milhões

 

 

O tradicional quadro do trapézio vai marcar outro recorde da companhia. A uma altura de 14 metros do chão, seis trapezistas lançam-se no ar e equilibram-se em cadeiras, realizando o mais difícil quadro na história do Cirque. Ao final, 20 acrobatas correm e saltam numa parede de oito metros, uma marca registrada dos balés de Deborah. A coreógrafa é a primeira mulher do mundo a criar um show para o Cirque, que já trabalhou com diretores do porte de Robert Lepage, de Os sete afluentes do rio Ota, entre outros trabalhos para o teatro.

Segundo a revista Forbes, que alinha Guy Laliberté no clube dos bilionários, com uma fortuna avaliada em US$ 2,5 bilhões, o Cirque deve estrear até o fim do ano mais um espetáculo em Las Vegas, com temática centrada em Elvis Presley.

A escolha da cidade como um dos polos de lançamento da trupe milionária esconde um vício de Laliberté: ele é fissurado em pôquer, jogo que aprecia pela lógica matemática e que, às vezes, o faz perder um pouco de dinheiro. Outra das paixões desse ex-engolidor de fogo é o Carnaval carioca.

Seu sonho, além de viajar para o espaço, é que uma escola de samba do primeiro time leve para a avenida um enredo baseado na história do Cirque du Soleil, uma fábrica de fantasia que hoje reúne quatro mil empregados - entre eles, dois irmãos da ex-mulher Rizia Moreira - e mil artistas de 40 países. No Carnaval deste ano, a que assistiu num camarote com amigos brasileiros, ele tentou fazer uma parceria com a Mangueira. Chegou até a levar alguns carnavalescos da escola para os EUA. A negociação emperrou. Mas o flerte ainda esta em pé.

 

 

24/4/2009


 
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