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Editorial  
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Uma polícia acima da lei

A polícia controla todo mundo. E quem controla a polícia? A questão foi levantada por ninguém menos que o presidente do Supremo, ministro Gilmar Mendes, ele mesmo vítima de escuta clandestina. Propõe Gilmar novos arreios sobre a gestão desgovernada do investigar e prender a qualquer preço. Quer a Justiça fiscalizando diretamente a PF. A tarefa cabia por direito e praxe ao Ministério Público. Mas diz Gilmar: "Esse tal controle do Ministério Público é algo lítero-poético-recreativo." A julgar pelo resultado da última investida sem freio da polícia - que trouxe claras manobras politiqueiras na escolha dos alvos - há de se dar razão ao ministro. O País ficou sabendo na semana passada que, por sua conta e risco, a PF decidiu omitir o PT, o PTB e o PV de suas investigações sobre doações, muito embora os diálogos entre os executivos da em preiteira acusada tratassem também desses partidos. As siglas foram suprimidas do relatório final pela simples conclusão da autoridade do caso de que "as doações a esses partidos foram, em princípio, legais". Curiosa a decisão da polícia. Ela apontou como ilegais doações a partidos que chegaram a mostrar recibos de pagamento registrados no TSE, mas afastou a hipótese sobre a base aliada do poder. Razões de justiça? A PF nega conotação política. Tentou explicar que o foco da operação foram os crimes financeiros. Convenceu poucos. O cuidado de não expor as siglas partidárias, já que segundo os próprios responsáveis não eram elas o objetivo, deveria ser abrangente. Não seletivo. Gilmar Mendes diz que a polícia comete "dicionário de abusos". O Congresso quer a presença em plenário do ministro Tarso Genro para prestar explicações pessoalmente sobre a corporação que comanda. Dias atrás, o mesmo Tarso Genro elogiava a apuração Castelo de Areia - digna de filme de Hollywood - por sua lisura. Boa parte do corpo de juízes do Supremo Tribunal Federal vê excessos na investigação. Considera inadmissível que se mantenha a tática de prender suspeitos apenas para interrogatório. Se é do STF a palavra da lei, que se escreva e que se cumpra.

Carlos José Marques, diretor editorial

 

8/4/2009


 
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