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As gírias de Hollywood
O livro Movie speak reúne expressões e termos usados pelos profissionais do cinema e colecionados durante 12 anos pelo diretor e produtor Tony Bill

Ivan Claudio

 

NO COMANDO A palavra "ação!", termo mais usado nos sets, nem sempre é adotada. O diretor Martin Scorsese (acima., de chapéu) prefere berrar "energia!"

Podem chamar as carnes! Se um cineasta americano gritar essa frase na hora da filmagem, pode ter certeza de que ele não está louco. No dialeto usado em Hollywood, mandar chamar as carnes é uma forma de avisar os atores que está tudo pronto para começar a gravação. Essa e outras centenas de expressões do mundo do cinema foram reunidas no livro Movie speak, lançado nos EUA. De autoria do ator e diretor Tony Bill, produtor do filme Golpe de mestre, a obra apresenta as gírias mais frequentes entre os profissionais da meca do cinema.

Desde aquelas bem antigas e que ainda resistem aos novos tempos - caso da expressão Jane Russell, usada para enquadramentos femininos à altura dos seios (a atriz Jane Russell tinha seios generosos) - até as mais recentes, como Lewinskys, inspirada na estagiária do ex-presidente Bill Clinton, e empregada como sinônimo de joelheiras pelos dublês.

Bill teve a ideia de escrever o livro e durante as filmagens das quais participava foi anotando termos (colecionou 450) que eram cotejados com as histórias e biografias dos homenageados - no caso de a expressão fazer referência direta a uma pessoa do meio do cinema. É o que acontece, por exemplo, com a "Regra Clint Eastwood", que proíbe um ator de demitir o diretor.

É que no passado Eastwood costumava dispensar cineastas com os quais não se dava bem. Se um personagem é tido como morto e aparece sem mais nem menos na história, ele teve uma "morte Disney", como era comum nos desenhos animados do criador de A bela adormecida. Outros termos são mais prosaicos. "Give me some love" (me dê um pouco de amor) no dialeto do cinema quer dizer apenas "ligue a eletricidade". Se o tal diretor quiser uma maçã, isso não significa que esteja com fome. Ele está precisando de um objeto para tornar mais alto um ator baixinho - como, por exemplo, uma caixa de maçã, que deu origem a essa gíria que sobrevive desde os tempos do cinema mudo.

 

 

8/4/2009


 
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