ISTOÉ - Independente
   
  EDIÇÃO ATUAL
  EDIÇÕES ANTERIORES
  ESPECIAIS
   
   
  CAPA
  REPORTAGENS
  CIÊNCIA & TECNOLOGIA
  BRASIL
  COMPORTAMENTO
  MEDICINA & BEM ESTAR
  MEIO AMBIENTE
  ECONOMIA E NEGÓCIOS
  CULTURA
  COLUNISTAS
   
   
  EDITORIAL
  ENTREVISTA
  A SEMANA
  GENTE
  EM CARTAZ
  OPINIÃO & IDÉIAS
  SEU BOLSO
  BASTIDORES
   
   
  FALE CONOSCO
  EXPEDIENTE
  ANUNCIE
  ASSINE ISTOÉ
  LOJA 3
   
   
 



Reportagens  
Imprimir
 
Polêmica binacional
Livro conta a história de Itaipu, a maior hidrelétrica do mundo, e contesta a tese de um Brasil imperialista

Camila Pati

MODERNIDADE Legado de Itaipu foi avanço tecnológico, mas não solucionou divergências entre Brasil e Paraguai

A construção da usina de Itaipu possibilitou à indústria nacional chegar a um patamar inédito, além de legar ao País rigorosas referências de controle de qualidade. Embora sua herança tecnológica seja indiscutível, quase 30 anos depois, a hidrelétrica, encravada no leito do rio Paraná, divisa entre Brasil e Paraguai, continua a ser objeto de polêmica internacional.

O Paraguai alega ser prejudicado pelos termos do acordo e propõe a revisão do Tratado de Itaipu, de 1973, sob o argumento de que foi assinado em período de ditadura. Já o Brasil sempre descartou uma mudança no contrato. O presidente paraguaio, Fernando Lugo, promete tratar da contenda de Itaipu com o presidente Lula, em abril. Ele quer valores mais altos para a tarifa sobre o excedente de energia produzido do lado paraguaio. Pelo acordo, a energia que não é consumida só pode ser vendida ao Brasil.

Este cenário de indefinição do destino da maior hidrelétrica do mundo é o tema do livro do jornalista Tão Gomes Pinto, Itaipu: integração em concreto ou uma pedra no caminho (Ed. Amarylis, 180 págs., R$ 39). "Conto uma história que muita gente já esqueceu", diz o autor. O relato desperta interesse político e tecnológico. Itaipu foi idealizada pelo Itamaraty para solucionar uma briga de fronteira. Sem deixar de dar crédito ao esforço paraguaio, ele mostra que o Brasil foi o grande responsável pelos empréstimos internacionais e pela tecnologia empregada na obra. "O Brasil praticamente pagou Itaipu inteira, e isso só foi possível graças à engenharia financeira da Binacional, o segredo de Itaipu", revela. A obrigatoriedade de repasse do excedente enérgico ao Brasil resultou na certeza de consumo de toda a produção e gerou confiança nos investidores. Em 2023, prazo final da quitação da dívida da Binacional, o Paraguai se tornará dono de metade da usina, avaliada em US$ 60 bilhões, mas quem paga a conta de Itaipu é o consumidor brasileiro.

O autor destaca ainda a forte presença das correntes de esquerda no governo Lugo que alimenta o sentimento de hostilidade ao Brasil. É esta visão política, segundo o jornalista, que coloca o País como o "vilão imperialista" do continente. Ele lembra que o secretário particular de Lugo é Marcial Congo, ex-dirigente do MST gaúcho. Além da controvérsia em torno de Itaipu, esta influência avança sobre outras questões, como o tratamento dado aos brasileiros proprietários de terra no Paraguai. Os "brasiguaios" se veem constantemente ameaçados de expulsão pelos semterra paraguaios. Em comum, as duas questões refletem aspectos da história ainda sem solução.

"O Brasil praticamente pagou Itaipu inteira graças à engenharia financeira"

Tão Gomes Pinto, jornalista

 

25/3/2009


 
Receba as informações de Isto É semanalmente em seu e-mail:
 
 
 
 
 
 




 
 
 
 
 
   
 
Imprimir

   
   
   

© Copyright 1996-2008 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.

ContentStuff - Media Solutions