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Ciência & Tecnologia  
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Laboratório dos mares
A bordo do navio Cruzeiro do Sul funciona o mais novo e importante centro oceanográfico do País

Tatiana de Mello

A TODO VAPOR Foram investidos R$ 30 milhões, baixo custo para moderna tecnologia

Ele tem 23 anos de existência e seu currículo inclui serviços prestados na Noruega, Holanda e em Cingapura - missões cumpridas em um longínquo mas não menos importante início de carreira, quando ele era um portentoso navio pesqueiro. Agora acaba de ganhar uma nova e nobre função: será o maior e mais importante laboratório oceanográfico do Brasil. Ganhou também novo nome para os seus 65 metros de comprimento: Cruzeiro do Sul. Na segunda-feira 9 esse navio partiu do porto de Niterói, no Rio de Janeiro, levando a bordo a sua primeira turma de cientistas, todos pesquisadores da UERJ.

Daqui para a frente, com equipes que serão constantemente revezadas entre as diversas universidades do País, o Cruzeiro do Sul navegará pela costa brasileira com todo o seu arsenal de alta tecnologia voltado para o estudo do mar e das espécies marinhas. "Temos aproximadamente cinco mil quilômetros de costa, uma verdadeira amazônia azul devido à sua bela riqueza. Infelizmente, ainda estamos longe de dominar o conhecimento sobre toda essa extensão", declarou o ministro da Ciência e Tecnologia, Sérgio Rezende, na inauguração do navio.

Para adaptar ao antigo navio pesqueiro um moderno laboratório, a Marinha e o Ministério da Ciência e Tecnologia dividiram os custos - e, na verdade, gastou-se pouco diante da precisão dos instrumentos. Foram investidos cerca de R$ 30 milhões na instalação de equipamentos de análise de correntes marítimas, de salinidade e qualidade da água, de busca de petróleo e até de estudos meteorológicos.

TEMPO REAL Espécies marinhas são analisadas digitalmente

"O navio contribuirá para que cubramos as lacunas que ainda existem nos estudos. Além disso, é importante economicamente conhecermos nossa costa e nosso mar porque através dele se dão quase 95% do comércio exterior do País", disse à ISTOÉ, em pleno mar, o capitãode- fragata Hilbert Strauhs, comandante do navio. A Marinha possui outros cinco navios de pesquisa, mas nenhum tão completo quanto o Cruzeiro do Sul.

Ele navegará a cerca de 600 quilômetros da costa, mas é forte o suficiente para cruzar oceanos. "Podemos ir até a África se quisermos", diz o capitão Strauss. Na verdade, quando foi adquirido pelo Brasil em 2007, ele cruzou o oceano Índico vindo de Cingapura. Embora seja propriedade das Forças Armadas, esse navio é de paz. E da ciência.

 

 

18/3/2009


 
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