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Meio ambiente  
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Preservados pelas guerras
Pesquisadores dizem que 90% dos confl itos se deram em regiões de rica biodiversidade e algumas vezes isso ajuda a proteger a natureza

Tatiana de Mello

Guerras dizimam populações, destroem economias e arrasam países. A maioria delas aconteceu nas regiões mais ricas em biodiversidade. Mas as guerras também podem evitar, às vezes, que espécies ameaçadas continuem a ser extintas. Essas teses constam do último relatório da ONG Conservação Internacional, dos EUA, que analisou dados de conflitos entre os anos de 1950 e 2000. O relatório, divulgado na semana passada, quantifica o desaparecimento de florestas e animais em decorrência de choques entre países. Sempre se contabilizou o número de seres humanos que morrem. Agora, pela primeira vez, volta-se o olhar para as baixas sofridas pelo meio ambiente. Segundo o estudo, todas as guerras nesse período se deram nas regiões chamadas hotspots: aquelas que são prioritárias na conservação da flora e da fauna, abrigando mais de 50% das espécies de plantas e pelo menos 42% dos mamíferos. A pesquisa, chamada Guerra nos Hotspots de Biodiversidade, diz: "90% dos embates se desenrolaram entre países que abrigam hotspots e 81% deles foram em regiões vitais à biodiversidade."

O relatório estima, por exemplo, que 95% das espécies de hipopótamos que viviam no Parque Nacional Virunga tenham sido dizimados nas guerras de independência no continente africano. Na Guerra do Vietnã (1965 a 1975), o hotspot Indo Burna foi atingido por agentes químicos e calcula-se que 14% da cobertura florestal tenha sido destruída. Mas nem sempre os conflitos desequilibram a ecologia. A queda da atividade econômica e o isolamento imposto pela violência podem propiciar "respiro e recuperação à natureza". Servem de exemplo as duas guerras mundiais: a redução na pesca comercial no Mar do Norte permitiu que espécies ameaçadas de extinção se recuperassem. Também em Myanmar, os sucessivos enfrentamentos com a China isolaram o Vale de Hukawng por quase 30 anos - tempo suficiente para que nele se refizesse a maior reserva ecológica daquele país. É claro que o relatório não defende a guerra como forma de equilíbrio ecológico. Ao contrário, ressalta a preservação de matas e espécies em nome da paz.

 

27/2/2009


 
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