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Editorial  
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Battisti quebra o silêncio

No início desta semana o agravamento da crise entre Brasil e Itália, por conta do Caso Battisti, chegou ao seu auge com o governo italiano chamando de volta o embaixador Michele Valensise. A atitude era um protesto contra a decisão do governo brasileiro de dar status de refugiado político ao ex-terrorista Cesare Battisti. O último ato desse imbróglio havia sido a recomendação da Procuradoria- Geral da República ao STF de arquivamento do processo de extradição. No início da tarde da quarta-feira 28, o presidente Lula considerou encerrada a discussão e reiterou a posição ofi cial de conceder o refúgio político. Quase ao mesmo tempo, naquela mesma tarde, a reportagem de ISTOÉ, tendo em mãos uma autorização judicial do ministro Cezar Peluso, do Supremo, e acompanhada de um advogado do preso, entrava no presídio da Papuda, em Brasília, para uma entrevista exclusiva com Cesare Battisti, concedida na sala da Gerência Penitenciária de Operações Especiais. Até então, o ex-terrorista só havia se pronunciado através de seus advogados. Pela primeira vez ele sentava face a face com um repórter para dar a sua versão dos fatos. Battisti entrou sob escolta, algemado, e falou por algumas horas.

Esta edição que você, leitor, tem em mãos foi extraordinariamente antecipada - rodada ainda na madrugada da quarta para a quinta-feira 29 e distribuída logo após - devido à dimensão que o rumoroso episódio tomou no País e no mundo. Desde o início, ISTOÉ vem acompanhando o desenrolar da história, que se converteu numa verdadeira guerra de argumentos de lado a lado, entre autoridades do Brasil e da Itália, sem que o acusado tivesse a oportunidade de falar. Após três meses de pedidos à Justiça, ISTOÉ conseguiu ouvir o réu Battisti. Ele respondeu a todas as perguntas sem ressalvas. A revista entende que, com a reportagem que começa na página 36, estará contribuindo para uma melhor apreciação do caso, dentro de sua prática cotidiana de um jornalismo plural, que abre o leque de cobertura a todas as versões para que você, leitor, tire as próprias conclusões.

Carlos José Marques, diretor editorial

 

28/1/2009


 
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