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Tempo é Dinheiro, Carreira, Família, Lazer, Amigos
Ele é um dos maiores luxos do mundo moderno. Aprenda a identifi car como o tempo é desperdiçado no cotidiano e saiba que medidas adotar para viver melhor, e sem culpa, no trabalho e na vida pessoal

Eliane Lobato

FOTOS: MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ; WELLINGTON C

Fazer exercícios físicos é uma das clássicas resoluções de Ano-Novo. De olho no verão, e após a fartura das festas de Natal e Réveillon, o mais comum é ouvir (e fazer) promessas de perder as gordurinhas e entrar em forma para melhorar a saúde e a autoestima. Embora, em tese, a ginástica figure como prioridade na agenda, costuma ser a primeira atividade cortada na correria do dia-adia. Falta de tempo é a desculpa mais comum. É o cansaço do trabalho, o resfriado do filho, o encontro com os amigos, tudo vira justificativa para não suar a camisa.

FOTOS: MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ; WELLINGTON C
FOTOS: MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ; WELLINGTON C

Tempo é, muitas vezes, uma questão psicológica. É uma opção que fazemos até inconscientemente. Nem sempre a escassez de horas, algo de que nos queixamos tanto, é uma questão física. Pode ser uma "realidade psicológica", termo usado pelo professor Hilário Franco Júnior no livro O ano 1000, no qual lembra que o tempo não passa na mesma velocidade para todas as pessoas em todas as circunstâncias. Saber disso, porém, não alivia a angústia de chegar ao fim do dia, do mês ou do ano e constatar que não deu à família a atenção que devia, não fez aquele MBA tão importante, não viajou para a sonhada ilha paradisíaca, não viu os filhos crescerem, etc. Tempo, como disse o sociólogo italiano Domenico De Masi, é um dos maiores luxos do século XXI. E há maneiras de usufruir melhor dele.

Autor do livro O ócio criativo, De Masi prega algo que a consultora de marketing pessoal Maura Cruz Xerfan, do Laboratório de Ideias, diz estar cada vez mais raro: "O ócio está sendo banido. Falta tempo para ele", afirma. É hora, portanto, de buscar alternativas e novas maneiras para viver melhor. Se não for possível tirar férias prolongadas, a consultora sugere reservar pelo menos 20 minutos, diariamente, para não fazer nada. Mas cuidado para não gastar esse momento repetindo a constatação da pesquisa realizada pela consultoria Maris Antropos Consulting, na França: vivemos 75% do tempo no passado, 25% no futuro e apenas 5% no presente. Um equívoco que joga a vida fora, de acordo com o escritor indiano Deepak Chopra, o profeta das medicinas alternativas, como descreveu a revista Time. "O presente é uma dádiva e por isso se chama presente", defende Chopra. E, se a vida moderna criou problemas, também inventou soluções. "O audiobook é uma forma de aproveitar o engarrafamento para escutar o livro que você não tem tempo de ler", sugere Maura. E arremata com uma dica importantíssima: "É preciso ter discernimento entre o que é fundamental, essencial, importante, urgente, e o que pode ser deixado para depois."

FOTOS: MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ; WELLINGTON C
FOTOS: MURILLO CONSTANTINO/AG. ISTOÉ; WELLINGTON C

Pesquisa do portal Administradores. com.br ouviu, no ano passado, 2.004 profissionais de todo o País, entre executivos, empreendedores e acadêmicos, e apenas 20% deles se consideram capazes de ocupar as horas do dia de forma objetiva. "Já esperávamos esse resultado porque a falta de tempo é o mal moderno", diz o editor Leandro Vieira, formado em Empreendedorismo pela Harvard Business School. Dos entrevistados, 36% assumiram não saber gerenciar o tempo e 45% disseram que conseguem "mais ou menos." Outro estudo também realizado no ano passado em 12 países pela Proudfoot Consulting com 1.276 gerentes de nível médio revelou que 34,3% das horas trabalhadas são improdutivas - o que significa jogar fora 85 dias de labuta por ano. No Brasil, segundo a pesquisa, quase metade do tempo de trabalho de quem devia estar comandando e criando é gasto em reuniões infrutíferas, rotina administrativa e checagem de e-mail.

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23/1/2009


 
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