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Editorial  
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Emprego, a arma contra a crise

É de uma lógica elementar a percepção de que a preservação da taxa de emprego joga papel fundamental na forma como o País vai atravessar essa crise mundial. Ponta vital do aquecimento econômico, o empr ego é a maior garantia de geração de consumo, da produção e, por consequência, do faturamento, do investimento, da renda, que vão refl etir no PIB. Sem o emprego, toda a cadeia promissora trava. Daí a preocupação que toma governos de todos os países neste início de ano de manter e até ampliar as possibilidades de empregos contra o estrangulamento fi nanceiro. No Planalto, a ideia é montar um pacote de incentivos que vá do corte de impostos das empresas até a criação de novas linhas de fi nanciamento para o capital de giro, desde que haja por parte das corporações a contrapartida da garantia dos empregos criados. O empresariado respondeu através da Federação das Indústrias (Fiesp), com uma sugestão mais radical: corte da jornada de trabalho e dos salários, algo que exigiria mudança de lei para fl exibilização das regras existentes. Os sindicatos de empregados reagiram contra as saídas patronais. E o governo também. O ministro Carlos Lupi chegou a apontar em entrevista que “tem empresário esperto forçando a mão por lucros”. O momento não é adequado para a radicalização de discursos nem para um embate entre capital e trabalho que paralise negociações. É necessário, é vital, a compreensão de todos os envolvidos para uma saída que atenda as várias partes, compartilhando vantagens e sacrifícios diante da situação extraordinária que o mundo vive. Não se impõe garantia de emprego por decreto, da mesma maneira que não se deve aproveitar vantagens tributárias sem que haja algum tipo de comprometimento por parte dos benefi ciados. É o velho conceito da via de mão dupla. O pior sinal contra a impressão generalizada de que o Brasil vive agora um momento econômico mais maduro é a radicalização dos agentes, seja através das greves, seja através das demissões indiscriminadas que, lá adiante, vão cobrar seu preço no resultado das companhias.

Carlos José Marques, diretor editorial

 

16/1/2009


 
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