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Ciência & Tecnologia  
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Robô ator
Com vocabulário de dez mil palavras, simpatia e boa interpretação, o novo ídolo do teatro japonês é feito de fibra de vidro

Luciana Sgarbi

Rosto amarelo brilhante, braços prateados e um sensor de posicionamento na cabeça. Por onde passa, torna-se o grande centro das atenções. Ele é uma "estrela". E não demorou para atingir a carreira artística. O seu nome é Wakamaru e, segundo os cientistas que o criaram, esse robô nasceu para brilhar. Apresenta-se Wakamaru: tem um metro de altura, é munido de uma câmera omnidirecional que o faz enxergar em 360 graus sem ter a necessidade de mover o corpo, desloca- se por meio de rodas e vale-se de sensores de infravermelho para detectar obstáculos em seu caminho. Com esse "currículo tecnológico" não foi difícil a sua aprovação para participar da peça Hataraku watashi (Eu, trabalhador) na cidade japonesa de Osaka. "Reprogramamos a máquina para que ela fosse capaz de interagir com os demais atores. Wakamaru usa cuidadosamente os objetos do cenário e tem a vantagem de jamais errar o texto", diz o chefe do departamento de pesquisa da Universidade de Osaka, Ken Onishi. Sem medo de concorrência, Wakamaru levou outro colega, também robô, para o teste. Ambos foram aprovados e agora interpretam no palco, respectivamente, os personagens Momoko e Takeo. Dois atores humanos também estão no elenco. Num segundo plano, é claro.

Wakamaru tem uma fonte de inspiração. Em 1968 estourou de sucesso nos EUA o seriado de televisão produzido pela CBS Lost in space (Perdidos no espaço), que contava as aventuras da família Robinson a bordo da nave Júpiter 2 - e a grande atração era o robô B9. Ele não possuía os avançados computadores internos que integram Wakamaru, tanto que dentro de sua estrutura, completamente escondido, ficava a comandá- lo o engenheiro Bob May. Com 1,98 metro de altura, o B9 traduzia, em sua época, a interação homem-máquina. Era capaz, a partir de seus controles internos gerenciados por May, de repetir 511 frases pré-programadas. Coisa simples para o high-tech Wakamaru, que fala cerca de cinco mil frases - algumas delas quando contracena com a atriz Minako Inoue e com o ator Hiroshi Ota.

"Está sendo muito fácil atuar com os robôs. São rápidos, eficientes e carismáticos", elogia o colega humano Hiroshi Ota. A versatilidade dessa máquina permite que ela seja conectada à internet através do sistema operacional Linux e, de repente, improvisos na fala do ator robô surpreendem a platéia. Após deixar o teatro, invariavelmente sob muitos aplausos, Wakamaru não tem folga. Ele é visto trabalhando em empresas na organização de documentos e reuniões, e a agência de recursos humanos de Nagoia People Staff requisitou dez Wakamaru que exercerão a função de recepcionistas em hospitais e multinacionais - o aluguel é de aproximadamente US$ 1 mil por dia. Em contratos maiores, cai para US$ 25 mil ao ano, o equivalente ao que recebe no Japão um trabalhador temporário.

"Queremos esses robôs participando cada vez mais de atividades sociais e culturais", diz Onishi. Capaz de reconhecer até dez pessoas e chamálas pelo nome, Wakamaru consegue recepcionar os membros de uma família com gentil voz feminina. Também transmite recados da secretária eletrônica e lê e-mails. De manhã, pode transmitir ao seu dono as principais manchetes dos jornais, dar a previsão do tempo e lembrá-lo dos compromissos. Se a segurança da casa for uma preocupação, basta usar o celular e ligar para Wakamaru: ele transmitirá imagens de todas as dependências. Essa boa companhia não sai barato. Para quem se rendeu ao charme do robô amarelo, em Tóquio cada Wakamaru é vendido ao preço de 1,5 milhão de ienes (cerca de US$ 15 mil). E a sua manutenção mensal gira em torno de US$ 1 mil.

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9/1/2009


 
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