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Editorial  
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O jogo da sucessão

O ano de 2009 surge sob o signo da disputa eleitoral. Ainda vão faltar quase dois anos para a sucessão do presidente Lula, mas, decerto, os preparativos da guerra começam agora. Candidatos vão tomando suas posições e colocam o bloco nas ruas. Pela primeira vez em 30 anos, Lula não se apresenta como uma alternativa de poder. Quem quiser substituí-lo terá de contar com amplo leque de apoio partidário, capaz de irradiar seu nome entre os eleitores lulistas "órfãos" - que certamente engordarão, numa primeira hora, a massa de indecisos. Alguns parlamentares mais afoitos tentam lançar o casuísmo do mandato de cinco anos ainda no apagar das luzes de 2008. Mas o próprio Lula sabe que é mais negócio tentar um mandato mais adiante com a probabilidade de prorrogá-lo por outros oito anos. Seriam, na soma, 16 anos de poder e a garantia de escrever na história uma biografia de estadista de longo prazo.

Para os quatro anos que vêm logo após a sua saída em 2010, os nomes da oposição estão postos. O governador mineiro Aécio Neves já admite a candidatura e diz estar convencido de que tem muito espaço para crescer nas pesquisas. Conta com a simpatia de boa parte da base de seu partido e com uma trajetória que inclui dois mandatos de governador, além da presidência da Câmara dos Deputados. Enfrenta a alternativa José Serra, que segue no firme e antigo propósito de ocupar o cargo. Deverá somar na sua trincheira o influente apoio dos caciques tucanos. A bandeira de convencimento para angariar votos é a mesma de um lado e do outro: "o partido não pode simplesmente dar um vôo no escuro". Muitos no ninho tucano sonham com uma chapa pura tendo os dois, Serra e Aécio, como candidatos a presidente e a vice. Difícil, diante da determinação de ambos de não fazerem concessões em seus projetos.

Do outro lado do ringue, petistas ainda não estão plenamente convencidos de que Dilma Rousseff é a melhor escolha. Alguns falam em Antônio Palocci como um quadro excepcional. E nem mesmo a opção Henrique Meirelles, presidente do BC, é descartada, dada a sua atuação, que contribuiu fortemente para a estabilidade econômica. Fora dessas variáveis, o que se imagina ainda é um Aécio Neves migrando para o PMDB, assumindo a candidatura sob o guardachuva do maior partido do País e ten do de quebra a bênção do próprio presidente Lula. São essas as grandes peças que deverão se mexer no xadrez sucessório em 2009. É aguardar para ver.

Carlos José Marques, diretor editorial

 

23/12/2008


 
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