Esse é um banco no mínimo diferente. Possui área de 17 quilômetros quadrados, empina- se a três mil metros de altura e é coberto por um manto de gelo de 16 metros de espessura. Em seu ambiente interior, ar-condicionado não faz sentido: a temperatura média é de dez graus negativos. Ele se chama Fort Knox Suíço e foi construído pela empresa Siag com um investimento de US$ 40 milhões. Onde fica essa fortaleza? Para quem não tem nada em seus cofres, que se destinam, sobretudo, a guardar dinheiro, dados bancários e informações sigilosas, a curiosidade fica satisfeita pela metade: localiza-se nos Alpes. E só isso. Saber pontualmente em qual montanha gelada é um segredo que a Siag não abre. Falou-se em US$ 40 milhões de gastos em sua construção, e não é para menos: casou- se rústica montanha com altíssima tecnologia. O banco, por exemplo, possui conexões via satélite, comunicação por fibras ópticas e chave biométrica para que apenas banqueiros e clientes autorizados tenham acesso. No lugar de seguranças, a fortaleza tem cavernas e passagens secretas. É um labirinto que hoje armazena senhas das maiores fortunas do planeta.
Improvisada como bunker pelo exército suíço na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), a montanha ocultou nesse período diversos segredos de Estado. Pouco depois, ainda com propósitos de defesa, foi utilizada como abrigo de emergência a estadistas que eventualmente tivessem de escapar de um conflito nuclear. Agora, ela volta a servir, como cofre, para quem quer segurança total ao seu dinheiro. "A procura por nossos serviços explodiu nos últimos meses", diz Christoph Oschwald, presidente da Siag. "Nós alugamos os bunkers ou nos tornamos coproprietários deles. Trabalhamos em parceria com bancos e clientes." Na montanha, diversos centros de processamento de dados de alta segurança ocultam sigilos comerciais, títulos, arquivos e até raras obras de arte. Tudo está guardado contra ataques físicos e eletrônicos, catástrofes naturais e terrorismo.
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Um dos serviços oferecidos é o Proseco, sigla para Professional Secure Collaboration. Trata-se de um sistema de criptografia no qual nem mesmo o mais esperto dos hackers saberia como acessar as contas - os cofres sob o gelo mudam automaticamente de senhas e códigos a cada 60 minutos. Tamanha segurança também envolve os funcionários, que passam por inúmeros controles biométricos através de suas digitais antes de entrarem nas salas à prova de explosões. Tudo isso garante, a um público seleto, aquilo que todos nós queremos: a certeza de que o nosso dinheiro está sendo bem zelado pelos que dele tomam conta.