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O futuro é agora: painel de energia solar e, em São Paulo , o primeiro ônibus movido a hidrogênio do País |
Durante décadas, o uso da energia renovável era uma ótima idéia que parecia pertencer a um futuro muito distante. A boa notícia é que esse sonho já virou realidade no mundo todo.
Em São Paulo, a Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos (EMTU) colocará nas ruas da capital paulista o primeiro ônibus movido a hidrogênio do País, em março do ano que vem. O veículo faz parte de um projeto de R$ 38,5 milhões, que inclui a montagem de mais três. "Em dez anos, teremos uma frota mista", diz José Ignácio Sequeira de Almeida, presidente da EMTU.
No continente europeu, Portugal inaugurou em setembro o Parque de Ondas de Aguçadouro, em Povoa de Varzim. É a primeira estação de força maremotriz - que usa a energia das ondas do mar - para consumo comercial do mundo, num investimento de US$ 12,5 milhões. Nos Estados Unidos, no mês passado, as cidades de São Francisco, Oakland e San Jose, na Califórnia, anunciaram investimentos de US$ 1 bilhão para que os carros elétricos sejam maioria na frota até 2012. Tel-Aviv, em Israel, espera colocar nas ruas centenas de veículos movidos a eletricidade já em 2009. Para funcionar, postos de recarga elétrica estão sendo construídos - neles, o dono do carro recarrega o veículo por um sistema simples de fio e tomada.
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IMÓVEIS ECOLÓGICOS Prédios como o Eldorado Business Tower, em SP, serão regra |
A preocupação com meios de transporte sustentáveis não se restringe aos elétricos. O Solartaxi, o primeiro veículo solar que viajou ao redor do mundo, chegou em 4 de dezembro à Polônia, onde foi realizada uma conferência da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a mudança climática. O veículo percorreu, a partir de Lucerna (Suíça), 52 mil quilômetros e 38 países durante mais de um ano para chamar a atenção sobre os perigos do aquecimento global. "A iniciativa deveria reavivar a esperança e o entusiasmo pela vida, ser um exemplo para resistir à resignação e promover a reflexão sobre o futuro de nosso planeta", afirma o professor suíço Louis Palmer, criador do Solartaxi.
Exemplo brasileiro
Em maior ou menor grau, todos os países estão desenvolvendo projetos com alternativas limpas - as energias renováveis e os biocombustíveis (leia quadro nas págs. 84 e 85). A média mundial de uso de energia renovável é de 13%. No Brasil, essa porcentagem chega a 46% - o que faz do País um exemplo para o planeta. Em seu discurso na abertura do encontro da ONU sobre mudanças climáticas em Poznan, na Polônia, na quinta-feira 11, o secretário- geral da entidade, Ban Kimoon, citou o País como exemplo a ser seguido. "O Brasil construiu uma das economias mais verdes do mundo, criando milhões de empregos neste processo", disse. Belo Horizonte, em Minas Gerais, por exemplo, é referência mundial quando se trata de conscientização ambiental. Cerca de mil prédios, entre residências, hotéis e hospitais, utilizam a energia solar para aquecer a água. Leis na cidade de São Paulo e no Estado do Rio de Janeiro também determinam que as construtoras criem mecanismos para aproveitar a luz solar e usem materiais sustentáveis nas novas edificações.
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Em Osório (RS) está o maior parque eólico da América Latina. Com 75 turbinas, é capaz de garantir o consumo de 650 mil pessoas |
O mundo resolveu investir na energia verde não por modismo, mas por necessidade. O século XX foi dos combustíveis fósseis, como petróleo e carvão, mas essas são fontes de energia finitas. Levando em conta o que se conhece hoje, a previsão é de que a reserva mundial de petróleo seja suficiente para mais 40 anos. Além disso, são energias poluentes. "Elas têm como conseqüência as emissões de gases que causam o aquecimento global", diz o engenheiro Hélio Mattar, presidente do Instituto Akatu pelo Consumo Consciente. Por isso, o século XXI será das energias limpas.
Uma das iniciativas mais ambiciosas em andamento no mundo é a Lei do Clima, de Londres (Inglaterra), divulgada no mês passado. A prefeitura local anunciou que pretende reduzir as emissões de carbono em 60% até 2025, estimular o uso de energia eólica e solar em edifícios públicos, empresas e residências, além de colocar nas ruas dez mil carros elétricos, com emissão zero de carbono. O exemplo londrino é apenas uma parte do que o Reino Unido vem chamando de Green New Deal, uma versão verde do New Deal - programa econômico que tirou os Estados Unidos da Grande Depressão na década de 1930. A idéia é que, em 2050, 80% dos gases responsáveis pelo aquecimento global liberados por combustíveis fósseis no transporte e na geração de energia elétrica sejam eliminados. Ao mesmo tempo, espera-se criar milhares de empregos nesta nova economia, num momento de crise financeira mundial.
A Alemanha foi quem primeiro percebeu a oportunidade que unia meio ambiente e economia. Lá o governo concede incentivos fiscais às pessoas que instalam energia solar em casa. O país também é referência em usinas de painéis solares e responde por um enorme programa de energia eólica. O economista indiano Pavan Sukhdev, do Deutsche Bank, autor de um respeitado estudo sobre ecossistemas, garante que milhares de empregos podem ser criados na esteira da onda ecológica. "Não há dúvida de que as indústrias tradicionais, como as de aço ou automóvel, não conseguem mais prover empregos suficientes", afirma.
Espera-se que 300 mil novas vagas de trabalho sejam abertas, movidas por este segmento na Alemanha.
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POTÊNCIA OCEÂNICA
A usina maremotriz portuguesa iluminará seis mil residências
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Vaticano ecológico
Além da iniciativa pioneira na construção da revolucionária estação maremotriz, que iluminará seis mil casas, Portugal tem 40% de sua produção energética proveniente de fontes renováveis, como centrais solares e estações eólicas. A Europa também está bastante evoluída no quesito transportes. O programa Clean Urban Transport for Europe (Cute) está testando a primeira geração de ônibus híbridos, como são chamados os veículos com célula combustível para hidrogênio. Eles rodam em cidades como Hamburgo (Alemanha), Londres, Barcelona (Espanha), Porto (Portugal) e Amsterdã (Holanda).
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