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Especial
Gilberto Kassab
O estilo surpreendentemente previsível do prefeito Gilberto Kassab impôs ao PT a maior derrota eleitoral de 2008, fez dele o político mais votado do País nestas eleições e a principal esperança de seu partido, o DEM

Por Camila Pati e Luciano Suassuna

foto: frederic jean/ag. istoé

Na manhã seguinte à eleição que o consagrou como prefeito de São Paulo para os próximos quatro anos, político mais votado do País em 2008 e principal esperança de renovação do seu partido, o Democratas, Gilberto Kassab telefonou para o Palácio do Planalto.
– Kassab, parabéns! – cumprimentou- o o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
– Calma, presidente, quem está ligando para cumprimentá-lo sou eu.
Era o dia 27 de outubro, e Lula estava completando 63 anos de idade. Pelo quarto ano consecutivo, Kassab telefonava no dia do aniversário do presidente – e esse seria apenas um gesto protocolar se ele não revelasse também outras facetas do prefeito paulistano.
Ao contrário daquela primeira imagem nacional que passou publicamente, quando tratou um popular com descontrolada rispidez, Kassab é cordial. De todos os candidatos a prefeito, foi o único capaz de dar vida ao seu próprio boneco. O Kassabinho conquistou a criançada e atenuou a lembrança do seu histórico bate-boca com o eleitor um ano antes.
Como bem atestou o governador José Serra, que durante sua campanha a prefeito mal o conhecia e nem o desejava como vice, Kassab é leal. E ele acha que Lula foi extremamente correto com seu governo nas visitas que fez ao Estado durante a campanha.
Mas antes de tudo, Kassab é pragmático. Gerir a maior cidade do Brasil implica ter o máximo de parcerias e recursos possíveis – e para isso o apoio do governo federal é imprescindível. Então, uma semana depois de dar os parabéns a Lula, Kassab foi recebido no Palácio do Planalto para uma conversa que durou uma hora – e só tratou de questões pontuais.
A mais importante delas se refere à capacidade de endividamento da Prefeitura de São Paulo. Pela renegociação feita ainda no governo Fernando Henrique, o teto para dívidas corresponde a 120% da receita do município. São Paulo está acima disso. Mas os Estados, no entanto, têm um limite de 200% da receita anual. “São Paulo, assim como muitas das prefeituras de capitais, tem receitas e responsabilidades maiores que alguns Estados”, queixa-se Kassab. “O certo seria que o teto fosse igual para todos.”

foto: joão luiz g. silva/secom
Relaxamento Sem férias desde 2005, o prefeito Gilberto Kassab pilota um jet ski na Virada Esportiva

A Prefeitura de São Paulo recebe insistentes ofertas de dinheiro barato para projetos do Banco Interamericano de Desenvolvimento, mas não pode aceitá-las por causa desse limite. Além disso, com um teto maior, Kassab poderia financiar obras do metrô – sua maior preocupação, depois do investimento em educação e saúde. “O trânsito de São Paulo não é um problema apenas local porque afeta a logística de grande parte do Brasil”, diz Kassab. “E ele só melhorará com mais metrô.” Com Lula, Kassab ainda tratou da remoção de algumas casas pertencentes à Aeronáutica para a ampliação do Anhembi, o maior local de eventos da América Latina, e da possibilidade de transferir o Ceagesp, centro de distribuição de alimentos, para o novo Rodoanel. “Ele ocupa uma área nobre da cidade”, diz. “E no Rodoanel facilitaria toda parte de logística.”
Nos dois anos de mandato que herdou de José Serra, Kassab seguiu à risca o plano de governo de seu maior padrinho político. Manteve o secretariado, apenas substituindo quem saiu por vontade própria. Com projetos como o Cidade Limpa, que proibiu publicidade nas ruas e regulou os letreiros do comércio, e a briga com empresários de negócios duvidosos – como postos que vendiam gasolina adulterada, bingos e boates –, Kassab foi se firmando como um político que cumpre o que promete. “Cada um fez a sua parte”, diz ele sobre o governador. “Eu tinha que mostrar que ia cumprir o plano de governo e que a população poderia esperar de mim o que esperava do Serra. E acho que atingi esse objetivo.” Para o presidente municipal do PT, o vereador José Américo, o problema é justamente esse: o de seguir o plano de governo de José Serra. “Tirando o Cidade Limpa, que nem atinge a cidade como um todo, foi um governo sem marca, sem nenhuma grande obra, mas que teve muitos recursos e realizou uma série de pequenas obras que se traduziram em votos”, diz Américo. “Nós, do PT, só esperamos que agora, que ele vai ter um governo só dele, cumpra o que prometeu, que não foi pouco. Estaremos vigilantes”, completa o vereador da oposição.

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5/12/2008


 
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