ISTOÉ - Independente
   
  EDIÇÃO ATUAL
  EDIÇÕES ANTERIORES
  ESPECIAIS
   
   
  CAPA
  REPORTAGENS
  CIÊNCIA & TECNOLOGIA
  BRASIL
  COMPORTAMENTO
  MEDICINA & BEM ESTAR
  MEIO AMBIENTE
  ECONOMIA E NEGÓCIOS
  CULTURA
  COLUNISTAS
   
   
  EDITORIAL
  ENTREVISTA
  A SEMANA
  GENTE
  EM CARTAZ
  OPINIÃO & IDÉIAS
  SEU BOLSO
  BASTIDORES
   
   
  FALE CONOSCO
  EXPEDIENTE
  ANUNCIE
  ASSINE ISTOÉ
  LOJA 3
   
   
 



Capa  
Imprimir
 
Especial
Henrique Meirelles
O presidente do banco Central, Henrique Meirelles, colhe os frutos da defesa inflexível do cumprimento das metas inflacionárias e dos fundamentos econômicos e assegura que em 2009 o brasil continuará a crescer acima da média mundial

Por Octávio Costa

Desde os anos 90, o presidente do BC é amigo de Timothy Geithner, futuro secretário do Tesouro americano
foto: eraldo peres/ap
Respeitabilidade O trabalho de Meirelles foi elogiado por autoridades como o ex-secretário do Tesouro dos EUA, John Snow

Tanto Meirelles quanto Geithner - que será o novo secretário do Tesouro no governo Barack Obama - têm vasta experiência em gestão de crise. "Nessa situação, não se fazem pacotes. O momento exige rapidez, precisão e flexibilidade. Você não pode ficar preso a uma maneira de pensar, a um modelo teórico. Precisa ser executivo e atuar em cima da hora, rapidamente. Muitas vezes a agenda muda da noite para o dia", ensina. E garante que ele e o amigo Timothy são escolados no assunto.

Meirelles explica que fez um curso na Harvard Business School, criado durante a Segunda Guerra Mundial, para preparar os executivos a lidar com a economia de guerra. Trata-se do Advanced Management Program (AMP), que, nos dias de paz, prepara quem vai assumir a presidência de grandes corporações. É um curso intensivo, de quatro meses, que tem foco na gestão de crise. Meirelles foi para Harvard em janeiro de 1984, por indicação de um membro do conselho do BankBoston, que previu que o primeiro vice-presidente do banco no Brasil poderia ocupar uma função mais importante no futuro. Quando voltou ao País, em junho, já tinha sido nomeado presidente da filial brasileira. E aprendera que, nas crises, "é preciso separar as ondas de superfície das correntes profundas". Segundo ele, a crise atual tem componentes importantíssimos de onda profunda, como a desalavancagem mundial. "Por isso, é mais grave e mais séria. Se você ficar na superfície, não resolve os problemas. Pode tomar decisões erradas e dar um tiro no pé", destaca.
Por causa das aulas de estratégia militar em Harvard, nutre até hoje uma grande admiração pelo marechalde- campo Montgomery, que derrotou os alemães na batalha de El Alamein, no Egito, em 1942, e obrigou as forças do general Rommel a se retirar do norte da África. Na estratégia empresarial, Meirelles ficou impressionado com o sistema japonês de defeito zero. "Fazia-se o controle de qualidade no fim da linha de montagem. Os japoneses perceberam que, assim, perdiam-se peças e tempo. Concluíram que o melhor controlador da qualidade é quem comete o erro. Cabe a ele acusar e corrigir o erro imediatamente. Esse é o controle de qualidade perfeito, que passei a adotar na minha vida profissional", revela Meirelles, que visitou o Japão para conhecer o modelo in loco.

Início Meirelles (de barba) quando vivia nos EUA

Entre os homens de negócios, ele buscou inspiração em Jack Welch, o famoso presidente da GE, que, entre 1981 e 2001, elevou o valor de mercado da empresa de US$ 14 bilhões para US$ 400 bilhões. Também respeita o megainvestidor Warren Buffett, apesar de ressalvar que o americano, recentemente, deu um passo em falso ao colocar US$ 5 bilhões na Goldman Sachs quando as ações estavam cotadas a mais de US$ 100. "Pode ser que ele ainda ganhe", prevê. Ainda no meio empresarial, Meirelles destaca o que considera um clássico: Harold Geneen, lendário CEO da ITT, de 1959 a 1972, e um grande consolidador de companhias. Meirelles conta que Geneen tinha uma maneira muito especial para avaliar uma empresa. Ele entrava no andar da diretoria e examinava com atenção a atitude e a expressão facial das secretárias. "Para Geneen, se as secretárias eram atentas, rápidas, interessadas e prestativas, a empresa estava caminhando na direção certa", completa Meirelles, sem conseguir esconder que tem o hábito de usar o mesmo critério.
Bons exemplos e experiência não faltam ao presidente do BC, que passou quase 30 anos de sua vida profissional no BankBoston no Brasil e depois nos EUA. Mas, como jamais enfrentou uma turbulência de tamanha magnitude, ele admite que a gestão da crise impôs limites à sua vida pessoal. "Hoje, minha concentração no trabalho é absoluta. Normalmente, eu fazia Pilates quase diariamente e também procurava caminhar. O problema fundamental é a falta de tempo." Leitor compulsivo, gosta de livros de psicologia e história. Mas atualmente só lê textos sobre a economia mundial. "Na noite passada, em casa, li, até dormir, trabalhos sobre macroeconomia apresentados em Jackson Hole, no simpósio anual promovido pelo Fed americano", contou. Meirelles confessa que a pressão é tanta que muitas vezes perde o sono. " Acordo às três da manhã, pego meu BlackBerry, despacho por uma hora e meia e mando e-mails para todo mundo. Solto as tarefas do dia. Quando a turma acorda pela manhã, já tem toda a pauta. Aí eu me acalmo e volto a dormir até as sete horas. O BlackBerry é melhor do que um Lexotan."
Exigente e perfeccionista, Meirelles não deve dar descanso à diretoria do BC, pois tem dois BlackBerrys, um oficial do BC e outro privado, além de três celulares convencionais. Ele faz uma confidência: "Muitos amigos meus, ao me encontrar, exclamam: 'Nunca te vi tão bem'. É verdade. Não que eu goste de crise, mas me sinto melhor num ritmo de trabalho intenso e rápido." Para encerrar a conversa, como vão os planos de sair candidato ao governo de Goiás em 2010? "No momento, não penso nisso. Sou um homem de foco e agora meu foco está no curto prazo."

fotos: roberto castro/ag. istoé ; arquivo pessoal

"Na gestão da crise, não se fazem pacotes. O momento exige rapidez, precisão e flexibilidade"

Henrique Meirelles

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2
 

5/12/2008


 
Receba as informações de Isto É semanalmente em seu e-mail:
 
 
 
 
 
 




 
 
 
 
 
   
 
Imprimir

   
       

© Copyright 1996-2008 Editora Três
É proibida a reprodução total ou parcial deste website, em qualquer meio de comunicação, sem prévia autorização.

ContentStuff - Media Solutions